ESTREIA-Com excesso de tramas, 'Polissia' parece série 'esticada' de TV

Em "Polissia", acompanhamos o dia-a-dia de uma unidade especial da polícia parisiense que investiga crimes contra menores. É um cotidiano barra-pesada, o qual os membros do grupo tentam enfrentar com humor - mas, claro, na maioria das vezes, não é fácil.

Reuters

20 de setembro de 2012 | 09h45

Escrito e dirigido pela atriz Maïwenn, o filme nem sempre se sustenta em seus excessos de personagens e tramas, o que faz, muitas vezes, soar como o piloto de uma série de televisão - ou seja, um episódio mais longo. E nem mesmo com mais de 2 horas consegue se aprofundar em tramas e personagens.

Ainda assim, emergem desse caos proposital doses de humanismo que fazem o filme valer a pena. Ganhador do Prêmio do Júri, no Festival de Cannes do ano passado, e de dois Cesar - melhor montagem e atriz promissora -, "Polissia" constrói pequenos dramas e os insere num universo maior. Descortina a vida de policiais, vítimas e pedófilos (ou supostos) criando um painel de pequenas histórias interligadas por tema e pelo QG.

Mais importante do que os casos que investigam, são os efeitos causados nos policiais que, mesmo experientes, se chocam com as atrocidades de alguns casos. Ainda assim, eles continuam a viver suas vidas.

Nesse sentido, a melhor parte do filme são as performances naturalistas do elenco, que inclui Karin Viard ("Inferno"), Marina Foïs ("Para Poucos"), Nicolas Duvauchelle ("White Material") e Frédéric Pierrot ("A Guerra Está Declarada"). Maiween faz um personagem - uma fotógrafa selecionada pelo Ministério do Interior para registrar o trabalho na Unidade -, que é a mais mal desenvolvida e sem sentido dentro de todo o filme.

"Polissia" funciona mais em suas partes isoladas, quando visto pelo conjunto. Até porque o clímax e sua cena final parecem bastante apressados, sem uma construção dramática mais convincente.

(Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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