Estréia "Cold Mountain", sete indicações ao Oscar

Cold Mountain foi a grande aposta da Miramax para o Oscar. Custou US$ 105 milhões (80 de produção, 25 como despesas de lançamento no mercado interno) e ganhou sete indicações, ator, atriz, montagem, fotografia, trilha sonora, duas canções. Mas ficou de fora da principal, a de melhor filme e também deixou escapar a de diretor. Nesse sentido, é decepcionante para o produtor Harvey Weinstein, o todo-poderoso capo da Miramax. Quem vê o filme entende o tamanho dessa decepção, pois Cold Mountain parece ter sido integralmente projetado para ganhar o Oscar. Tem todos aqueles ingredientes consagrados como chamarizes de estatuetas: ator e atriz famosos, roteiro linear, tom emotivo para embalar um épico da Guerra Civil, um caso de amor difícil de ser concretizado, etc. O próprio diretor, Anthony Minghella, já detém know how de vencedor, com as estatuetas de O Paciente Inglês em seu currículo. Enfim, da música aos tons da fotografia, da paisagem às atrizes, tudo parece conduzir a uma consagração da Academia. E, no entanto... No entanto, alguma coisa gira em falso nessa engrenagem toda. Talvez a preocupação mesma de cozinhar um produto para um prêmio específico tenha tirado a espontaneidade que daria ao filme aquele toque de magia. Mas, enfim, trata-se de uma história dos tempos da guerra que opôs o sul ao norte dos Estados Unidos. Nos dias que antecedem a guerra, Ada (Nicole Kidman) apaixona-se por Inman (Jude Law), e são separados quando o conflito começa. O filme portanto acompanha os dois protagonistas em ações distintas. Ada espera o namorado. Inman luta na guerra, depois deserta e inicia um longo caminho de volta a casa para encontrar-se com a mulher. O personagem de Renée Zellweger, Ruby, que ajuda Ada a cuidar da fazenda, fornece a dose necessária de humor. Isto é, se você não se importar com a interpretação careteira e o sotaque. Enfim, é humor fácil, destinado a, em tese, refrigerar o drama a quente de que se compõe a história. Por outro, há a trajetória de volta de Inman, sua volta à casa, que deveria ser um verdadeiro calvário. E é, pois no caminho ele encontra de tudo, de malfeitores a uma viúva inconsolável, cujo marido morreu em combate. Tem também de evitar os caçadores de desertores, de gente que, como ele, já não acreditam na "causa" e preferem voltar para o lar. A cena com Sara, a viúva interpretada por Natalie Portaman, é uma das mais fortes. Inman está sendo perseguido. Refugia-se na casa de Sara, viúva e com filho recém-nascido.Mas falta calor para que fiquemos comovidos com esse caso de amor difícil em tempo de guerra, entre Ada e Inman. Falta paixão, falta luz, e se buscarmos de outro lado, e procurarmos algum tipo de análise histórica do que está acontecemos, aí sim é que não encontraremos nada. Quer dizer, Cold Mountain não é nem apaixonado o bastante para nos arrebatar, nem cerebral o suficiente para nos conquistar pela razão.

Agencia Estado,

13 de fevereiro de 2004 | 10h59

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