ESTREIA-'Amor em Trânsito' tem como pano de fundo crise na Argentina

A primeira cena do drama argentino "Amor em Trânsito" acontece num aeroporto, onde os personagens são vistos em trânsito. Essas são as pessoas que, no auge da crise econômica do começo da década passada, deixaram o país em busca de outras oportunidades.

Reuters

13 de dezembro de 2012 | 12h02

Uma narração em off explica que a vida é encarada como "um jogo, e os sentimentos fazem o jogo ter sentido". A frase remete a um jogo de estratégia chamado TED, cujo similar no Brasil era conhecido como War, no qual cada competidor tem como objetivo conquistar um território guerreando contra seu oponente.

Aqui, o diretor Lucas Blanco (que assina o roteiro com Roberto Montini) usa o jogo como metáfora para comentar as relações humanas entre pessoas que saem de seu país a fim de conquistar outros territórios. Juan (Damian Canducci) volta da Espanha para reencontrar seu grande amor mas, ao conhecer Micaela (Verónica Pelaccini), tudo muda de figura.

Já Ariel (Lucas Crespi) tem uma forma peculiar de ganhar dinheiro: aluga sua casa para as festas de despedida. As paredes são tomadas como um mapa do jogo com fotos dos amigos que foram "conquistar" diversos países. Ele também acaba se apaixonando por Mercedes (Sabrina Garciarena), uma garota sem rumo na vida, que entre suas idas e vindas se envolve com rapazes e, não raro, os traumatiza.

O filme acompanha esses personagens, suas aproximações e distanciamentos, negociações, hesitações. A crise econômica - assunto que se tornou de novo bastante atual, embora o filme seja de 2010 - é mero pano de fundo para uma comédia romântica que, como tantas outras, fala de encontros e desencontros.

A câmera tremula, tentando imitar as incertezas dos jogadores. A repetição de situações tenta agregar novos significados. Porém, isso não esconde a fragilidade dos diálogos e das interpretações irregulares que, no fundo, são consequência de um desenvolvimento precário do roteiro, dando a impressão de que o diretor encara seus personagens apenas como peças em um tabuleiro de jogo.

Se serve para alguma coisa, o filme é a contraprova àqueles que insistem em dizer que o cinema argentino produz apenas obras-primas.

O filme estreia em Brasília e Salvador e está em pré-estreia em outras cidades.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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