Estréia a desafiadora "Legalmente Loira 2"

É a comédia mais ultrajante produzida por Hollywood nos últimos tempos. E Legalmente Loira 2 chega aos cinemas no momento certo, quando começa em São Paulo a 11.ª edição do Mix Brasil. O que a personagem de Elie Woods, interpretada por Reese Witherspoon, tem a ver com o mundo mix? Elie, você sabe, é a mulher mais gay que existe, com todos aqueles vestidos cor-de-rosa no seu guarda-roupa. Quando ela chega ao Congresso dos EUA, cenário do segundo filme, um assessor chega a defini-la como a Barbie do Senado. A ligação, porém, é outra. Bruise, o cãozinho de Elie, é gay. Enamora-se do cachorrão de um senador famoso por ser puritano e conservador. O bichão corresponde e a questão, agora, é - vão sair do armário? Legalmente Loira 2 é ultrajante - os americanos adoram a definição ´outrageous´ para coisas muito provocadoras - porque leva ao limite o politicamente correto, aplicando-o aos animais, para melhor subverter o conceito na sociedade dos humanos. Pode parecer um delírio de crítico, mas Reese Witherspoon é uma loira que tem miolos. Muitos críticos reclamaram do primeiro Legalmente Loira que o filme parecia ir contra o estereótipo da loira burra para terminar fortalecendo o preconceito. Claro - se não, que graça teria? Desmontar o clichê seria ser politicamente correto, que é, paradoxalmente, o que esses críticos não querem ser. Reese, na vida, não é Elie. Ou melhor, tem a tenacidade com que Elie enfrenta os poderosos do Senado em sua luta para garantir a integridade dos animais. Tudo começa quando ela, às vésperas de casar-se, decide que Bruise terá de ir com a mãe à igreja. Gasta mundos e fundos até descobrir que a mãe de Bruise está num laboratório, como cobaia. E começa o esforço de Elie para libertá-la, o que a leva a Washington. Reese começou a mostrar a que veio quando fez A Eleição, que discutia, no microuniverso de uma escola, os dilemas da democracia americana. Eles continuam em pauta em Legalmente Loira 2, mas até quando Reese, ou Elie, parece estar sendo boba, na verdade está debochando de Deus e o mundo, com sua história de cachorros gays. E o filme tem piadas ótimas. Preparando-se para seu primeiro dia no Senado, a Barbie vai para a frente do espelho, trocando de roupas à procura do traje adequado. Um não serve porque é muito Nancy Reagan, outro porque é muito Hillary Clinton, um terceiro porque é muito Monica Lewinsky. É preciso ver os modelitos. A loira não é burra. Mais um pouco e a sua série vira cult.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.