Estréia 'A Caçada' faz retrato do jornalismo de trincheira

Roteiro do filme de Richard Shepard, com Richard Gere, é baseado em artigo de jornalista da revista 'Esquire'

Neusa Barbosa, da Reuters,

08 de agosto de 2007 | 10h48

A recente prisão do criminoso de guerra sérvio Radovan Karadzic atualizou A Caçada, aventura baseada em fatos reais que extrai seu roteiro de um artigo do jornalista Scott Anderson, da revista Esquire. O filme estréia nesta sexta-feira, 8, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.  Veja também:Trailer de 'A Caçada' Mais conhecido como diretor de TV, premiado com um Emmy em 2007 pelo piloto da série Ugly Betty, o diretor e roteirista Richard Shepard mantém o tom cínico da história, procurando não criar heróis nem vilões muito definidos. Os protagonistas são três jornalistas norte-americanos na Bósnia, dez anos depois do final da guerra dos Bálcãs. Estão à procura de um dos criminosos sérvios mais procurados do mundo, o Raposa, uma figura que pode, pelos crimes que lhe são atribuídos, ser comparado a Karadzic. Simon Hunt (Richard Gere, de Não Estou Lá) é quem lidera a arriscada aventura no centro dos Bálcãs. Gere oferece uma das melhores performances de seus últimos tempos na pele deste repórter experiente, que já viveu o auge da carreira. Depois perder o controle num programa transmitido ao vivo, ele perdeu o emprego e entrou em decadência. No momento, é free lancer e trabalha para emissoras menores. Para ele, esta viagem é a chance de voltar ao topo. Hunt, seu antigo câmera Duck (Terrence Howard, indicado ao Oscar por Ritmo de um Sonho) e o inexperiente Benjamin (Jesse Eisenberg, de A Lula e a Baleia), filho do vice-presidente de um canal de TV, embarcam nesta jornada com motivações diferentes. Os dois veteranos representam aquele tipo de jornalista de trincheira que se sente mais à vontade num campo de batalha do que dentro das redações. Benjamin é o novato que quer provar ser tão destemido quanto os outros. O objetivo do trio é obter a qualquer custo uma entrevista exclusiva com o caçado Raposa. Hunt nem sabe ao certo para quem a venderia. Mas é seguro que não lhe faltariam clientes para um material assim de primeira mão. Nas estradinhas tortuosas da antiga Iugoslávia, os três norte-americanos chamam a atenção. Em quem eles podem confiar? É evidente que, onde quer que o Raposa se esconda, está em seu território - e tem muitos olheiros. Este é o terreno das milícias que, em última análise, sustentaram por anos a própria guerra, uma das mais mortais da história recente, no coração da própria Europa. Mesmo uma informante cooperativa (Diane Kruger, de Tróia) não parece muito digna de confiança. Por isso, o tom irônico das primeiras cenas dá lugar, aos poucos, a uma narrativa mais sombria. No coração das trevas, cada um destes homens vai ter de mostrar não só coragem como esperteza para blefar. Vive quem for melhor neste jogo.

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