Cena de 'Ato, Atalho e Vento'
Cena de 'Ato, Atalho e Vento'

‘Estou curioso para ouvir o que vão dizer’, diz Marcelo Masagão sobre seu novo filme

Diretor chama para o debate de ‘Ato, Atalho e Vento’ e conta como conseguiu fazer a colagem de 143 obras

Entrevista com

Marcelo Masagão

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

30 Julho 2015 | 04h00

Depois da apoteose de quarta, 29, na abertura para convidados do 10.º Festival de Cinema Latino-americano de São Paulo, Ato, Atalho e Vento inicia nesta quinta, 30, sua carreira na Reserva Cultural. Marcelo Masagão já pode respirar aliviado. Quando o Estado falou pela primeira vez de seu belo filme, o próprio Masagão estava preocupado com a (im)possibilidade de ele chegar ao público. Afinal, trata-se de uma colagem que reúne cenas de outros 143 filmes. E havia o temor de que, pela lei do direito autoral, Ato, Atalho e Vento nunca pudesse passar.

Como você resolveu a questão dos direitos de seu filme?

Pedi um parecer a uma importante consultoria de São Paulo, que foi favorável à exibição. O artigo 46 da Lei de Direitos Autorais estabelece que não constitui ofensa a reprodução de pequenos trechos de obras preexistentes, de qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes plásticas, sempre que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique a exploração normal da obra reproduzida nem cause um prejuízo injustificado aos interesses dos autores. Fiz outras consultas e os pareceres batiam. Desencanei e preparei o lançamento.

Pegando carona no documentário de Aurélio Michiles sobre Cosme Alves Netto, Tudo por Amor ao Cinema, seu filme também é um ato de amor ao cinema. Como nasceu?

Reli O Mal-estar da Civilização, do Freud, e tive um estalo. Pedi à editora 100 cópias do livro, que enviei a amigos, pedindo sugestões para filmes. Nem todos responderam, mas vieram coisas interessantes. Paralelamente, comecei uma pesquisa. Assisti a 600 filmes e fui selecionando cenas que me interessavam. Na hora de arquivar, colocava títulos imensos. E foram mecanismos de busca da própria internet que começaram a estabelecer conexões, a juntar as cenas que selecionara. A internet foi uma ferramenta muito importante na edição e formatação de Ato, Atalho e Vento.

Confesso que me encantei com a riqueza e criatividade do filme, que pode ser desfrutado como uma experiência puramente sensorial, a súmula de tantos filmes que nos marcaram, mas tudo isso também adquire um significado novo graças às conexões e às soluções de montagem. Que resposta você tem recebido das pessoas que já o viram?

No site do filme, www.atoatalhoevento.com, uma psicanalista faz uma análise muito rica à luz de Freud e outro faz conexões com a realidade atual e vê no filme um espelho do momento que estamos vivendo, o que muito me surpreendeu. Usei como sinopse uma frase que, inclusive, está no catálogo do Festival Latino-americano – ‘As coisas não saíram como havíamos planejado’. Acho que muitas imagens que selecionei criam essa impossibilidade, esse acaso. As fotos que não dão certo, os assassinatos, os casais. Não sou de explicar meus filmes. Quem deve interpretar é o público. Mas aproveito para convidar. Domingo, às 8 da noite, no Memorial, vamos ter um debate com Maria Rita Kehl e Jean-Claude Bernardet. Eu mesmo estou muito curioso para ver o que vão dizer.

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