‘Estado’ promove encontro para discutir filme coreano premiado 'Em Chamas'

‘Estado’ promove encontro para discutir filme coreano premiado 'Em Chamas'

Longa, do coreano Lee Chang-dong, venceu o prêmio da crítica no Festival de Cannes, que aconteceu em maio

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2018 | 06h01

Hoje – terça-feira, 13 – é dia de debate no Caixa Belas Artes, na parceria do jornal Estado com a Pandora Filmes e a Cia. das Letras. O editor Ubiratan Brasil, o jornalista Luiz Carlos Merten e a editora dos livros de Haruki Murakami no Brasil, Luara França, vão debater o filme Em Chamas/Burning, do cineasta sul-coreano Lee Chang-dong. Em Chamas venceu o prêmio da crítica no Festival de Cannes, em maio, e foi escolhido pra representar a Coreia do Sul no Oscar, concorrendo a umas vaga na premiação da Academia com o brasileiro O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues.

Num longa anterior – Poesia –, Lee Chang-dong já trabalhara não propriamente com adaptação, mas com o conceito de que a poesia e a literatura são essenciais na vida das pessoas. Em Chamas baseia-se no conto Queimar Celeiros, do livro de Murakami, O Elefante Desaparece, publicado no País pela Cia. das Letras. A apresentação do filme e o debate desta noite serão gratuitos. A sessão está previstas para começar às 19 h e os ingressos serão distribuídos uma hora antes.

Em Chamas é centrado na história de um triângulo. Jongsu é um aspirante a escritor. Leva umas vida solitária e discreta, de poucos recursos. De forma inesperada, sua vizinha lhe pede que cuide de um gato, enquanto ela viaja. Os dois iniciam o que, para Jongsu parece uma relação, mas ela volta da viagem acompanhada por Ben – que é rico e exibe todos os signos do seu poderio econômico. Carrão, apartamento luxuoso, etc. Estabelece-se uma disputa entre os dois homens. A tensão não diz respeito somente à presença da mulher. Conversam sobre literatura. Jongsu é leitor de William Faulkner, que possui um conto com o mesmo título, Barn Burning.

No conto de Faulkner, um agricultor e seu filho, possuídos pela raiva, colocam fogo no celeiro de um vizinho. A raiva também é o motor do relato de Lee Chang-dong. Tem a ver com o ciúme – a inveja? – que Jongsu sente e com uma estranha prática, um hobby?, que Ben termina por revelar ao rival.

Em entrevista ao Estado, Chang-dong afirma – “Parece-me que hoje, pessoas de todo o mundo, independente da nacionalidade, religião ou classe social, estão com raiva por diferentes motivos. Os jovens da Coreia, por exemplo, estão passando por tempos difíceis. Eles sofrem com o desemprego, eles não têm esperança no presente e veem que as coisas não vão melhorar no futuro. Incapazes de escolher um alvo para direcionar essa raiva, eles se sentem impotentes, desesperançosos. Para muitos jovens, o mundo está se tornando um gigante quebra-cabeça. É um pouco como se sente o protagonista de Murakami.”

Dada a similaridade entre os originais de Faulkner e Murakami, Chang-dong diz que seu filme narra a história de um jovem Faulkner que vive no mundo do escritor japonês. Com cenas deslumbrantes – uma dança da garota, a explosão final de violência –, o filme destina-se a permanecer vivo na lembrança do espectador. Para isso contribui muito o elenco. Ah-Yn Yoo, que faz Jongsu, e Steven Yuen, o Ben, possuem forte presença em cena. O primeiro compõe um personagem mais introspectivo, consumido pelo fogo da raiva – da paixão. Numa hora isso vai ter de estourar. Jong-seo Jeon é a garota, Haemi. O trio estabelece essa ligação sinuosa. É u m belíssimo filme, que confirma a força e a vitalidade dos autores da Coreia do Sul.

EM CHAMAS

Caixa Belas Artes. Rua da Consolação, 2.423, tel. 2894-5781. Hoje, às 19h. Grátis – ingressos distribuídos meia hora antes da sessão.

 

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