PANDORA FILMES
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'Estado' apoia sessão especial do filme tunisiano 'A Amante'

Longa, que será exibido hoje no cine Caixa Belas Artes, com ingresso gratuito, ganhou prêmio no Festival de Berlim

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 06h00

Há dois anos, em Berlim, o diretor Mohamed Ben Attia disse para o repórter que seu belo longa Hedi tinha a cara da revolução que, anos antes, sacudira a Tunísia. Como ocorrera em todo o mundo árabe – a primavera árabe –, os jovens haviam ido às ruas pedindo liberdade. O filme era o testemunho dessa transformação.

O sucesso foi grande e Hedi terminou duplamente premiado. Ben Attia recebeu o prêmio para o melhor filme de diretor estreante e Majd Mastoura, que faz Hedi, foi melhor ator. Dois Ursos de Prata. Esta noite, o filme, agora intitulado A Amante, terá uma sessão gratuita no cine Caixa Belas Artes, com promoção do Estado, da distribuidora Pandora e da sala de cinema. Será às 20h (ingressos distribuídos a partir das 19h) e, após a sessão, haverá um debate do crítico Luiz Zanin Oricchio com o professor da FGV Salem Nasser. 

Passados dois anos, Ben Attia estava de novo, neste mês de maio, em outro grande evento internacional de cinema. Seu novo longa, Dear Son, integrou a seleção da mostra Quinzena dos Realizadores, em Cannes. Ambos os filmes são bastante representativos do novo fôlego do cinema tunisiano e também do que tem ocorrido com o país. A Amante é sobre a “velha” Tunísia. Hedi trabalha na representação comercial da indústria automotora. Comercializa carros. Seria um bom emprego, se a crise não estivesse paralisando o país.

Hedi é o típico bom moço. É dominado pela mãe, que decide sobre a vida dele. Hedi está às vésperas do casamento e tudo – a festa, a noiva – foi decidido pela mãe. Nesse quadro, ele vai fazer uma última viagem de trabalho e ocorre o improvável. Hedi encontra uma mulher de temperamento libertário – a “amante” – e ela bagunça a vida dele. A amante metaforiza a própria revolução. Nada será como antes. O rapaz fica dividido.

A família está de novo em discussão em Dear Son, mas o quadro agora é outro. Uma família de classe média e o filho enfrenta a tensão do “bac”, o vestibular. Vomita, sofre de dores de cabeça, desmaia. Os pais entendem os sinais como uma reação do filho ao vestibular. Não é.

Na véspera do exame – como Hedi na véspera do casamento –, o filho querido some. A verdade brutal. Foi cooptado pelo terror. Some no mundo árabe. O pai vai atrás. A família implode. A ênfase no pai constrói um personagem de outra geração, outra atuação memorável merecedora de prêmio. Os dois filmes mostram que Ben Attia está engajado nas grandes questões humanas, sociais e políticas de seu tempo. O debate desta noite no Belas Artes é importantíssimo. O filme deve estrear já nesta quinta, 31. Depois, será esperar por Dear Son.

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