Esquecido há 10 anos, Macaulay Culkin está de volta

Esqueceram dele, mas Macaulay Culkin voltou. Você vai ter um pouco de dificuldade para identificá-lo, se procurar pelo garoto da série Esqueceram de Mim. Culkin não é Charlize Theron, mas também encarna seu monstro particular, com a diferença de que não foi indicado para (e muito menos ganhou) o Oscar. Afastado da tela há dez anos, Culkin volta como o protagonista de Party Monster. No filme clubber da dupla Fenton Bailey e Randy Barbato, ele usa sapato de salto alto, roupas espalhafatosas e maquiagem pesada. Também é gay, viciado em crack e criminoso. Seu personagem (real) é um caipira que saiu da América profunda para virar o maior promotor de festas de Nova York.Bailey e Barbato basearam-se no livro Bloodbath, sobre a experiência de Michael Alig. De certa maneira, fizeram a versão drag do velho Bonequinha de Luxo. No clássico de Blake Edwards, adaptado da história curta de Truman Capote, Audrey Hepburn faz uma interiorana que esculpe uma persona para si mesma - Holly Golightly - para sobreviver na selva de concreto de Nova York. Michael Alig faz a mesma coisa e o fato de o garoto reprimido virar uma drag queen viciada em drogas carrega uma interpretação da dupla de diretores sobre a permissividade no mundo atual. Bailey e Barbato juram que não quiseram ser moralistas nem sensacionalistas.Seu filme não é para todos os gostos. É mais para o público que adorou Priscilla, a Rainha do Deserto, de Stephen Elliott. E talvez haja algo de perverso no público que viu Macaulay Culkin como um Rambinho e agora quer vê-lo como essa louca. Culkin ganhou mais dinheiro do que qualquer outro astro mirim na história do cinema. Foi sua desgraça. Os pais brigaram na Justiça por sua fortuna, ele pirou, envolveu-se com drogas, casou e descasou e ainda teve uma estranha amizade com Michael Jackson. Há algo da experiência dele em Party Monster.

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