Paul Ronald
Mastroianni. Alter ego de Fellini em duas obras-primas  Paul Ronald

Mastroianni. Alter ego de Fellini em duas obras-primas  Paul Ronald

Especial Federico Fellini 100 anos: diretor deixou obra de incrível atualidade

Diretor italiano é acessível e misterioso, ao mesmo tempo, um claro enigma, que nos impele a interpretá-lo, mas talvez não seja boa ideia aprisioná-lo em teorias muito rígidas

Luiz Zanin Oricchio , O Estado de S. Paulo

Atualizado

Mastroianni. Alter ego de Fellini em duas obras-primas  Paul Ronald

Na primeira cena, o menino abre a janela e vê a lona sendo levantada. Pergunta à mãe o que é. “O circo chegou”, ela responde. Essa é uma “cena primitiva”, fantasia original do artista, e está em Os Palhaços (1970), falso documentário sobre figuras mitológicas dessa arte. O menino é Federico Fellini e a cidade é Rimini, no litoral adriático, onde nasceu em 20 de janeiro de 1920. Segunda, 20, comemora-se o centenário desse cineasta inigualável, o que mais nos fez mais sonhar, o que mais tocou nas cordas do nosso inconsciente, mobilizando uma emoção que nunca sabemos ao certo de onde vem. A lembrança de infância funciona como uma espécie de modelo para o cineasta por vir. 

Federico saiu de sua província natal e foi ser jornalista em Roma. Chegou ao cinema ao participar do roteiro de Roma Cidade Aberta (1945), de Roberto Rossellini. Aprende com Rossellini, em especial ao acompanhar as filmagens de Paisà. Seu primeiro longa, Mulheres e Luzes (1951), é feito em parceria com Alberto Lattuada. Viriam depois Abismo de um Sonho (1952) e Os Boas Vidas (1953), este um primeiro ponto de virada, em que um estilo memorialístico se define na história do grupo de malandros vivendo à custa da família em Rimini. Apenas um deles, Moraldo, alter ego do diretor, escapa à sina provincial e vai em busca do seu destino.

Os dois filmes como Giulietta Masina, com quem está casado desde 1943 e será sua esposa pelo resto da vida, fazem sucesso – A Estrada da Vida (1954) e Noites de Cabíria (1957). Ambos ternos, magníficos, solidários com a condição feminina num mundo patriarcal. Os dois são premiados com o Oscar de melhor filme estrangeiro. 

Com A Doce Vida (1960), alcança novo patamar, na forma e no conteúdo. Com uma estrutura em episódios, dispostos como um mosaico, conta a saga de Marcello Rubini (Marcello Mastroianni), jornalista de fofocas que deseja escrever um livro sério, mas não consegue. É filme definitivo sobre a cultura dos anos 1960, a sociedade do espetáculo e a alienação. Na abertura, uma sequência magnífica, o Cristo no helicóptero sobrevoando a Roma pagã. O filme ganha a Palma de Ouro em Cannes e é divisor de águas entre o Fellini pós-neorrealista e o Fellini que valoriza o mundo da fantasia e dos sonhos

Se em A Doce Vida prevalece a estrutura em mosaico, o que rege Oito e Meio (1963), seu longa seguinte, é a indistinção entre fantasia e realidade. Guido Anselmi (Mastroianni), é o diretor que não consegue começar seu filme. Dessa fábula do impasse criativo, Fellini tira seu trabalho mais inventivo e subversivo. Verdadeiro salto mortal estético e existencial. 

O que fazer depois de chegar a ponto tão alto? Prosseguir, e voltar ao universo feminino, mas desta vez de forma onírica em Julieta dos Espíritos (1965), feito para e estrelado por sua Giulietta Masina. Entre o sentimento do pecado e o sonho de liberdade, Julieta imerge em sua vida de fantasia e desejos. De cores vivas, o filme é influenciado pelas experiências recentes de Fellini com o LSD. 

Com Amarcord (1973), talvez sua obra mais amada, recua de novo a uma infância transfigurada pela imaginação, trata com ternura os tipos de sua Rimini imaginária e fustiga sem piedade o fascismo, através da arma mais poderosa, a lente sobre o ridículo do poder. Quem acha Fellini apolítico deve revisitar essa obra (e outras) e revisar seus conceitos. 

Fellini vai também à antiguidade e tira dos fragmentos de Petrônio essa obra ímpar e intrigante que é Satyricon. Exuma a persona do sedutor Giacomo Casanova e faz, de sua antipatia pelo personagem, uma obra-prima crítica ao sexo mecânico. A fase final é brilhante, com obras notáveis como Roma (1972), Ensaio de Orquestra (1979), E la Nave Va (1983). Após Ginger e Fred (1985) e Entrevista (1987), Fellini põe um ponto final em sua trajetória com o enigmático Vozes da Lua, mal recebido pela crítica e merecendo revisão. É de 1989, aurora desta nossa era, e talvez a prefigure com suas histórias de lunáticos, personagens que ouvem vozes e deliram. 

Fellini é acessível e misterioso, ao mesmo tempo. Um claro enigma, que nos impele a interpretá-lo. Mas talvez não seja boa ideia aprisioná-lo em teorias muito rígidas. Seus filmes constroem um espaço de liberdade no qual podemos exercitar nossa imaginação, sensibilidade e fantasia. Nunca precisamos tanto dele. 

Cinco filmes essenciais de Federico Fellini

  • Os Boas Vidas (1953) 

Ambientado numa Rimini transfigurada pela imaginação, traz o grupo de amigos sem perspectivas na província

  • A Doce Vida (1960) 

Filme-chave da modernidade. Inventa o termo paparazzo, registra o mundo fútil da Roma noturna na Via Veneto, rua tornada célebre pelo filme e, aliás, recriada em estúdio em Cinecittà

  • Oito e Meio (1963) 

Salto mortal na história do diretor que não consegue fazer filme. No processo, a psicanálise do protagonista, com sua relação com família, Igreja, mulheres, etc

  • Roma (1972) 

Ensaio sobre a cidade de adoção do artista com cenas antológicas como os afrescos no metrô e o desfile de moda eclesiástica 

  • E la Nave Va (1983) 

Fellini une o mundo da ópera ao cenário da 1ª Guerra, num genial ensaio sobre arte e barbárie 

Depoimentos sobre a obra de Fellini

A pedido do Estado, atores, diretores e escritores enviaram pequenos depoimentos sobre os filmes de Fellini.

  • Noites de Cabíria

“Acompanhar a história de Cabíria na Roma do pós-guerra é uma experiência ímpar! Cabíria é uma personagem inesquecível e colocou Giulietta Masina e Federico Fellini no panteão dos grandes criadores do século 20” (Tata Amaral, cineasta)

“O que vale é a poesia da interpretação de Giulietta Masina” (Antonio Fagundes, ator)

  • Amarcord

“A poesia, a humanidade e agrandiosidade daquele (navio) Rex cinematográfico chamado Amarcord não só me encantou como determinou o resto da minha vida, pois foi o filme que me fez querer fazer cinema” (Anna Muylaert, cineasta)

 

“Poucas vezes o cinema foi tão fiel à essência que o originou, que é a celebração do sonho e da fantasia, como nos filmes de Federico Fellini. É isso que torna a sua obra atemporal – e indispensável” (Marçal Aquino, escritor e jornalista)

“Tudo o que ele fez, eu gostaria de ter feito – isso se tivesse algum talento. A Rimini de Fellini é a minha Araraquara. A obra de Zé Celso tem toques de Fellini. Ele era mágico. Fazia críticas à Igreja, mesmo sendo italiano” (Ignácio de Loyola Brandão, escritor)

  • A Estrada da Vida

“Ele já se apresentava como Fellini neste filme, ou seja, revelou as características que marcaram a sua carreira. Uma luta da brutalidade e ignorância contra a delicadeza. Mesmo que venha, é sempre uma brutalidade. Isso o torna atual” (Lima Duarte, ator)

  • Fellini Oito e Meio

“Nesse filme, estão as angústias existenciais e estéticas do cineasta, os personagens mais recorrentes e seus temas mais obsessivos. Tudo isso embalado de poesia, sonho, memória, imagens antológicas e a trilha inesquecível de Nino Rota, parceiro e ‘cúmplice’ de Fellini” (Maria Adelaide Amaral, dramaturga e escritora)

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Federico Fellini criou um mundo falso para refletir sobre sentimentos reais

Em 100 anos, cineasta tornou-se um artista tão conhecido que seu nome deu origem a um adjetivo – felliniano – devidamente catalogado no dicionário

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2020 | 16h39

Federico Fellini tinha 32 anos quando fez seu primeiro longa solo, em 1952. Dois anos antes, codirigira Mulheres e Luzes com Alberto Lattuada, mas Abismo de Um Sonho é o verdadeiro começo de tudo. Um casal, Leopoldo Trieste e Brunella Bovo. Viajam em lua de mel a Roma, para ver o papa, mas isso é o que ele pensa. Ela sonha conhecer o sheik branco de sua fotonovela favorita. Brunella some em Roma e, vagando na noite, o marido encontra Giulietta Masina como uma prostituta gentil, que lhe devolve a esperança e a fé. As Noites de Cabíria já estava em Abismo de Um Sonho, mas isso só deu para descobrir depois.

Completa-se nesta segunda-feira, 20, o centenário de nascimento de Federico Fellini. Nasceu em Rimini, cidade à beira do mar Adriático. Tornou-se um artista tão conhecido que seu nome deu origem a um adjetivo – felliniano – devidamente catalogado no Aurélio. Designa alguma coisa delirante, imaginativa. Estudou jornalismo em Florença e virou profissional em Roma, na revista de humor Marco Aurélio. Escreveu roteiros de fotonovelas – chamadas de fumetti –, fez rádio-teatro. Chegou ao cinema e escreveu roteiros um mestre neorrealista, Roberto Rossellini.

Embora com o pé na realidade, Fellini preferiu sonhar. Forjou uma biografia. Um ano depois de Abismo de Um Sonho, surgiu Os Boas Vidas, com Franco Interlenghi como um jovem que, como ele, foge à vida sufocante de província. O trânsfuga virou o jornalista Marcello de A Doce Vida e o cineasta Guido Anselmo de Oito e Meio, ambos interpretados por Marcello Mastroianni, o astro que foi alter ego de Fellini. Entre Os Boas Vidas e A Doce Vida, surgiram A Estrada da Vida e As Noites de Cabíria, o primeiro e o segundo Oscars de filme internacional, mais A Trapaça.

Foram quatro Oscars – três de melhor filme estrangeiro, La Strada, As Noites de Cabíria, Amarcord, mais um de carreira. Além de Mastroianni, teve uma parceria longa com o compositor Nino Rota. Foi casado 50 anos com Giulietta Masina, a quem ofereceu papéis inesquecíveis. Embora egresso do neorrealismo, quando começou a dirigir o movimento já esgotara seu ciclo histórico. Não havia como nem por que ficar preso àquele modelo. Fellini e Michelangelo Antonioni ingressaram na vertente chamada de realismo interior.

Antonioni fez filmes sobre a alienação da burguesia, criou a trilogia da solidão e da incomunicabilidade. Fellini nunca teve aquele temperamento. Menino, jurava que havia tentado fugir de Rimini seguindo um circo. O barroco e o circo sempre foram seu território, e por mais que exista angústia existencial em La Dolce Vita e Otto e Mezzo ela é embalada em imagens exuberantes, o tom é feérico. A estátua do Cristo sobrevoa Roma, a milionária e o jornalista fazem sexo na cama da prostituta, a estrela de Hollywood usa um vestido estilizado de padre e depois se banha na Fontana di Trevi. Fellini chegou a pensar em chamar A Doce Vida de Babilônia 2000. A derrocada da civilização – no desfecho, a garota tenta se comunicar com Marcello na praia, mas ele não a ouve.

A Marcello sucede Guido, o cineasta em crise. Sufoca em seu carro, viaja ao próprio passado e ao mundo da imaginação. Guido, a mulher e a amante. Guido, menino, na praia e a prostituta volumosa. A rumba, Saraghina. Os críticos tendem a considerar o psicanalítico Oito e Meio a obra-prima de Fellini, o público prefere Amarcord. O acordeonista cego, o pavão que abre sua cauda, as ridículas paradas fascistas, a Gradisca – um desejo de mulher, todos aqueles garotos masturbando-se por ela –, o transatlântico Rex que passa na noite. Amarcord, no dialeto de Rimini, quer dizer ‘Eu me lembro’. Fellini autobiográfico, Fellini mentiroso. O mar é de plástico e, no rito fúnebre de E La Nave Va, ele mostra que o próprio navio é de mentira. Nem por isso a grande mentira de Fellini deixa de ser um instrumento para ele falar de sentimentos verdadeiros.

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Nino Rota entregou a Fellini suas trilhas impregnadas de paixão

Além de Fellini, o italiano compôs para outros grandes cineastas como Visconti, Coppola, De Sica e Zeffirelli

João Marcello Bôscoli, Especial para O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2020 | 16h39

Nino Rota (1911-1979) é uma caso raro. Para começar, foi um menino prodígio que deu certo. Muito certo. Não há dúvida sobre sua presença na lista dos maiores compositores de trilhas na história do cinema. Enquanto escrevo, sua música toca ao fundo e, claro, pareço estar em um filme. Além da sua capacidade sobrenatural de criar melodias assobiáveis, existe muita paixão, humor, ironia e convicção na sua obra. Só alguém muito seguro faz 11 trilhas (11 trilhas!) em um único ano – porque não dava para ouvir nada antes.

Hoje, é possível mostrar uma determinada peça ao diretor com sua sonoridade muito próxima do resultado final graças aos computadores, sintetizadores e samplers. Rota trabalhava com um piano, papel, lápis e borracha. Apresentava o tema, aprovava e marcava estúdio com a orquestra. Tudo muito caro, com pouco tempo.

A técnica e a capacidade de ouvir a música escrita na partitura dentro da sua própria cabeça é uma premissa de todo grande arranjador, é fato. Ainda assim, o talento dele é comovente. A música continua tocando. Paro de escrever e busco um determinado aroma. (Não tenho certeza se incluo isso no texto. Respiro fundo. Paciência; vamos lá.) O aroma foi uma ilusão perceptiva criada por ele, por sua música.

Fellini, Visconti, Coppola, Zeffirelli e De Sica, entre muitos outros, sabiam onde encontrar essa mágica: “Liga pro Nino!”.

Uma das definições de música é a tradução das emoções humanas em sons. E ele dominava esse lance. Ouvi dezenas de obras e nada é médio ou correto. Vem tudo impregnado de sentimentos e significados. 

Contudo, o mais impressionante é a química alcançada quando somada às imagens. Há momentos nos quais ele é hiperdescritivo, aprofundando as sensações de determinada cena. Em outros, leva a música para um lugar inesperado, criando uma terceira sensação.

Continuo ouvindo e escrevendo. Quem dera ligar para o Nino. Mas a gente se fala. Ele deixou dezenas de horas com mensagens musicais. E eu respondo com sorrisos, admiração, surpresa, lágrimas. Meu corpo vibra, a casa vibra. Um dia, espero, nos encontraremos.

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Sérgio Augusto: ‘Meu Fellini favorito? E eu lá sei’

Em depoimento, jornalista e escritor reflete sobre os filmes do cineasta italiano, cujo centenário de nascimento é comemorado em 2020

Sérgio Augusto, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2020 | 16h39

Meu Fellini favorito? E eu lá sei. 

Já foi A Trapaça. Isso bem antes de assistir a Dolce Vita e Oito e Meio. Tão volúvel quanto inseguro em minhas convicções taxonômicas, substituí A Trapaça por Abismo de um Sonho, uma das comédias mais tristes e patéticas já feitas – e o que dizer daquela cena do sceicco bianco Alberto Sordi, a balançar entre duas palmeiras, nas areias de Fregene? 

Amarcord talvez seja, consensualmente, il miglior Fellini, o mais antológico, o mais abrangente, o mais querido, o xodó das multidões – e, sim, a sequência do transatlântico Rex é um dos momentos mais visualmente deslumbrantes da história do cinema. 

Não obstante, reitero meu voto de fidelidade a Os Boas Vidas (I Vitelloni), que ao nosso mercado chegou com atraso, mesmo tendo dividido com mais cinco filmes o Leão de Prata do Festival de Veneza, que em 1953 não premiou ninguém com o Leão de Ouro. 

Vitelloni sempre me pareceu o embrião, o molde, de toda a obra felliniana. Sua cosmovisão já está quase integralmente configurada naquela crônica sentimental, familiar e comunal sobre os boêmios errantes de Rimini e o melancólico tédio da dolce vita em província.

Pouco importa que aquela indolente procissão de mandriões – os cinco vitelloni que nada fazem por preguiça e fraqueza – tenha sido rodada em Viareggio, do outro lado da Itália. O Mar Tirreno que eles contemplam, sonhando com fugir para bem longe dali, é o Adriático que banha Rimini e testemunhou os devaneios do jovem Fellini e seus companheiros de adolescência e vadiagem. 

Os Boas Vidas é um memento do cineasta, um pré-Amarcord, tão autobiográfico que Fellini, além de encaixar no elenco seu irmão Riccardo, batizou os dois principais vitelloni, Fausto (Franco Fabrizzi) e Moraldo (Franco Interlenghi), com os nomes de seus dois maiores amigos de juventude. 

Fellini não levou adiante o projeto de rodar um filme sobre seu alter ego em Roma. Moraldo in Città não vingou. Mas A Doce Vida, com Moraldo rebatizado Marcello, preencheu além das medidas aquela lacuna. 

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Enquete: Qual o melhor filme de Federico Fellini?

2020 celebra centenário de um dos maiores e mais influentes cineastas de todos os tempos

Redação, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2020 | 07h00

Em 2020, celebram-se os 100 anos de nascimento de Federico Fellini, um dos mais influentes cineastas de todos os tempos. Entre seus filmes mais famosos estão Os Boas-Vidas, de 1953, A Estrada da Vida, do ano seguinte; La Dolce Vita, de 1960; e Amacord, lançado em 1973.

Como parte da cobertura e das homenagens da data, o Estadão propõe uma pergunta difícil aos seus leitores: qual é o melhor filme de Fellini? Vote na enquete abaixo e deixe a sua opinião!

 

 

Nascido a 20 de janeiro de 1920, em Rimini, na Itália, o cineasta tinha um estilo muito particular de realismo fantástico, que remete a outros gênios multiformes da criação, como Pablo Picasso e Andy Warhol. Mais que mera representação cinematográfica, Fellini apresentava sua visão de mundo, uma dimensão quase circense de set de filmagem, expressão corporal e modelo de sociedade. Seu criticismo, no entanto, não deixava de exaltar a magia das telonas.

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TV Estadão: Críticos do 'Estadão' conversam sobre a obra de Federico Fellini

O centenário de nascimento do cineasta italiano é tema de debate sobre sua obra, com participação de Luiz Carlos Merten, Luiz Zanin Oricchio e Ubiratan Brasil

Redação, O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2020 | 18h18

O centenário do cineasta Federico Fellini foi tema do debate entre o editor do Caderno 2, Ubiratan Brasil, e os críticos de cinema Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio. A conversa passou por assuntos como o filme preferido de cada um, da discussão da função política do cinema segundo Fellini, e de como sua obra se relaciona com a de grandes outros diretores.

Veja abaixo a conversa sobre a obra de Fellini:

Federico Fellini nasceu em 20 de janeiro de 1920, em Rimini, cidade italiana que serviu de inspiração para vários de seus filmes. Em 40 anos de carreira, começou no cinema ligado ao neorrealismo de Roberto Rossellini, mas logo tomou caminho próprio.

Adotou, com o tempo, um estilo barroco de memorialismo, que passou a ser sua marca registrada. Seu estilo exuberante deu origem ao adjetivo “felliniano”.

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