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Espaço Unibanco exibe mostra do cinema canadense

É curioso como certas pessoas influenciam outras a quem nem conhecem. Se o diretor francês François Truffaut não tivesse existido, a vida de Jacques Bensimon talvez tivesse sido diferente, do outro lado do Atlântico, no Canadá. Foi depois de assistir a Os Incompreendidos, que Truffaut dirigiu em 1959 - e virou um marco do movimento chamado de nouvelle vague -, que o jovem Bensimon fez sua opção pelo cinema. Virou diretor, mas não foi nessa condição que desembarcou, no fim de semana, em São Paulo. Como presidente do Office National du Film du Canada (o National Film Board do Canadá), Bensimon veio para uma programação extensa - na quarta, passou por Brasília para assinar acordos de parceria com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o secretário do Audiovisual, Orlando Senna; ontem, de novo em São Paulo, participou no Senac de um seminário para discutir produção; e hoje prestigia a abertura de uma mostra do cinema canadense no Espaço Unibanco, que vai revelar pérolas para o público acostumado quase que só aos filmes de Denis Arcand e Atom Egoyam. Toda essa programação ocorre no mês que celebra a francofonia (e o Canadá é um país francófono). Há mais de 20 anos, Bensimon esteve no Brasil para assinar, com a então Embrafilme, outro acordo de cooperação para o desenvolvimento das técnicas de animação no País. Agora, o acordo prevê a produção de filmes e o intercâmbio de profissionais. Já existem contratos firmados com produtoras brasileiras e um dos orçamentos está em torno de R$ 5 milhões. Bensimon explica por que o Brasil pode ser um parceiro atraente para o Canadá - "Vivemos hoje num mundo formatado para a circulação da produção americana, mas existem espaços de resistência que vale ocupar - na Europa, na Ásia, na América Latina. O caso da Coréia é muito interessante e lá eles fazem um cinema original e criativo. Essa mesma originalidade a gente encontra nos filmes de diretores brasileiros." Acordos, acordos, acordos. Bensimon está convencido de que a produção e a exibição em digital vão alterar substancialmente os mercados e que, no futuro, o público poderá baixar o conteúdo dos filmes até no celular, Vai haver uma grande mudança, mas esta ainda é uma conversa com base em números e projeções. O hoje ainda é a programação de filmes que começa no Espaço Unibanco. Bensimon lembra que o Office National du Film, o National Film Board do Canadá, surgiu em 1939, quando o governo canadense convidou o célebre John Grierson para desenvolver, no país, o equivalente de sua escola documentarista inglesa, que revolucionou o cinema com temas políticos e sociais e novos métodos de filmagem. Esses filmes deveriam fazer parte do esforço de guerra, mas depois dela o National Film Board transformou-se numa agência cultural federal ligada ao Ministério do Patrimônio Cultural do Canadá, com o objetivo de gerar e distribuir a produção de filmes como forma de divulgar e interpretar o país para o mundo - e para os próprios canadenses. A diversidade dá o tom dos filmes que o público vai ver em programas que se dividem entre curtas e longas, documentários, animações e ficções em live action. Existem filmes como Meu Tio Antoine, de um cineasta histórico como Claude Jutra, de 1971, até Peacekeepers, de Paul Cowan, do ano passado, que discute o papel da ONU como salvaguarda da paz no mundo. Animações premiadas como Special Delivery, Bob´s Birthday e Ryan e documentários como For Angela, sobre a luta de uma mãe contra o racismo, ou The Last Trapper, sobre um dos últimos caçadores que ainda agem nas Montanhas Rochosas Canadenses, valem-se de diferentes formas para refletir sobre assuntos da atualidade, pois Bensimon destaca a consciência social como uma das marcas do cinema canadense. Ele é louco por documentários. Entre tantas atividades, espera ter tempo de dar uma olhada na programação do Festival Internacional É Tudo Verdade, que também começa hoje. Mostra Canadense. Hoje, 16 h, 2.ª e 4.ª, 18 h, Peacekeepers (2005), de Paul Cowan; 6.ª, 18 h, ; 2.ª, 20h, 5.ª, 16 h, Programa 1 de curtas; 6.ª, 20 h, dom. 4.ª, 16 h, Meu Tio Antoine (1971), de Claude Jutra. Sáb. e 3.ª, 16 h, dom., 20h, Tributo a Ryan Larkin - Alter Egos (2004), de Laurence Green, Street Musique (1972), de Ryan Larkin, Ryan (2004), de Chris Landreth; sáb., 18 h, 3.ª, 20h, 5.ª, 18 h, Programa 2 de curtas; sáb., 5.ª, 20 h, O Último Caçador (2005), de Nicolas Vanier. Dom., 18 h, 2.ª, 16 h, 4.ª, 20 h, Programa 3 de curtas. Espaço Unibanco 3 (189 lug.). Rua Augusta, 1.475, Cerqueira César, 3288-6780. R$ 10. De hoje a 5.ª. Até 30/3.

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