"Erros de Ortografia" revela jovem ator francês

Uma chuva de verão impediu que o Festival de Locarno começasse ao ar livre no seu telão da Piazza Grande, diminuindo o público e forçando os corajosos a se refugiarem num mega pavilhão de 3500 lugares. Quem ficou com medo dos relâmpagos e da chuva não sofreu grandes perdas ? Erros de Ortografia, o novo filme de Jean-Jacques Zilbermann, não é uma perfeição em matéria de escrita cinematográfica. Existe o sabor do retorno à época dos amigos do secundário, mas a trama não consegue amarrar o espectador na história do filho dos diretores de um pensionato para adolescentes com problemas, que acaba criando uma cooperativa clandestina e provocando uma pequena rebelião.Porém, o filme revela um novo ator francês, gênero patinho feio cínico e desabusado, que poderá fazer caminho no cinema francês. Afinal, Gérard Depardieu, com seu nariz disforme virou ídolo. Trata-se de Damien Jouillerot, que vive aos 19 anos um moleque de 13. Outra revelação do filme, é a de uma Carole Bouquet travestida numa diretora de escola de traços comuns, numa mulher sem graça, para não dizer feia, distante da imagem do filme de James Bond, no qual praticamente começou sua carreira.Jean-Jacques Silbermann conta como descobriu Damien, a pérola rara, que dá força ao seu filme. ?Vi milhares de crianças para encontrar as que participariam do filme. Mas para o papel principal (Daniel) estava dificil. Eu queria um adolescente que fosse comum, sem graça, uma espécie de um mau patinho feio. Quando encontrei Damien, ele tinha 18 quilos a mais que no filme. Senti que o enredo do filme tinha ligações com sua própria história. Nos testes feitos, ele se mostrou um bom ator, tocante e rebelde. Quando começamos a filmar, fiquei surpreso pois percebi que ele trazia para o filme algo próprio, que pertencia a ele mesmo?.Por que um filme sobre a adolescência?Jean-Jacques Silbermann ? Quando os produtores da série O Dinheiro Traz Felicidade me contataram, lhes propus a história de um adolescente num internato, que cria uma rendosa cooperativa. Na verdade, não percebi que, no fundo, essa história era do meu passado.Ou seja, autobiográfica?Todos os filmes são autobiográficos, mas nesse pude contar muito mais coisas sobre mim mesmo, distribuídas entre os diversos personagens. Vivi num internato, três anos, como Daniel, na qual ainda havia os castigos corporais e onde a educação estava mais próxima de domar e dominar. Fiquei marcado pela violência dessa época. Vi, também, alguns filmes de crianças como A Guerra dos Botões, mas não queria que meu filme se parecesse com nenhum deles. Mas é verdade que eu mesmo tinha nessa época problemas de ortografia e que criei realmente uma cooperativa para os alunos, às vésperas da revolução estudantil de maio 68.E como Carole Bouquet entrou no filme?Foi seu agente quem me contatou. Ela aceitou, mas, nas filmagens, foi difícil transformar mulher magnifica como Carole numa mulher comum. E foi assim que chegamos a um acordo sobre tudo que ela deveria usar, para se tornar comum ? a franja, os óculos, os brincos.

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