Andrew Cooper/SONY PICTURES ENTERTAINMENT/Columbia Pictures
Andrew Cooper/SONY PICTURES ENTERTAINMENT/Columbia Pictures

‘Era Uma Vez em... Hollywood’, de Quentin Tarantino, critica egos e a indústria do cinema

Novo longa do diretor, que estreia nesta quinta-feira, 15, faz retrato de duas épocas distintas

Lindsey Bahr, AP

14 de agosto de 2019 | 03h00

LOS ANGELES - Era uma vez, não muito longe de Hollywood, duas das maiores estrelas do cinema, conversavam sobre como é cometer um erro no momento da gravação de uma cena. “Errar os diálogos diante de todo o elenco e da equipe de produção é como um pesadelo de ir à escola com roupas de baixo”, disse Leonardo DiCaprio.

“É horrível quando a gravação de uma cena não sai bem”, acrescentou Brad Pitt. “Quando você não vai bem numa cena e não consegue dizer sua parte dos diálogos. Há 100 pessoas ali prontas para encerrar o dia e ir para casa descansar.”

Os dois atores, que alcançaram a fama quase ao mesmo tempo há mais de um quarto de século unem suas forças pela primeira vez em um filme de grande orçamento que faz uma crítica ao seu setor, sua cidade e também aos seus egos em uma época de grandes mudanças: Hollywood em 1969.

O filme, que estreia nesta quinta, 15, também os uniu a Quentin Tarantino. Antes a película era conhecida como “o filme de Tarantino sobre Manson”, mas é algo diferente. Manson é um personagem, como a maioria dos seus seguidores mais famosos. Não poderia faltar Sharon Tate, interpretada por Margot Robbie. “É o que há de melhor de 1969 a oferecer como experiência por meio de Sharon”, afirmou Robbie. “Depois de 1969 e da sua morte as coisas mudaram em Hollywood.”

A luz e a escuridão do iminente fim da década de 1960 são um pano de fundo que, de outra maneira, seria um filme com dois protagonistas brilhantes, Era Uma Vez... em Hollywood está repleto de nostalgia, de clichês do mundo do espetáculo, melancolia e o talento de Tarantino que permite que DiCaprio no papel de um caubói que já teve seu melhor momento na TV, enfrente dúvidas existenciais, e Brad Pitt, seu dublê nas acrobacias, consigam fazer aquilo em que são mestres: encantar o público.

As mudanças observadas em Hollywood por volta de 1969 levaram a muitas discussões sobre o que ocorreu nessa época com um novo grupo de cineastas que mudou a ordem estabelecida para abrir espaço para pessoas como Coppola e Scorsese.

Tarantino fez os atores refletirem sobre o seu próprio setor, agora que o streaming vem perturbando a velha ordem e também abrindo espaço a novas vozes. Como produtores, isso é algo emocionante para Pitt, DiCaprio e Robbie. “É incrível essa abundância de talentos, que vêm tendo oportunidades hoje”, afirmou Pitt. 

DiCaprio também tem um certo ciúme ao ver alguns filmes “saírem do convencional e com uma narrativa muito atrevida” que ele tentou produzir há uma década e não conseguiu e hoje esses filmes não só recebem financiamento como são feitos com qualidade. “Estou muito agradecida por interpretar papéis hoje e com essa idade mais do que à época em que Sharon vivia”, lembrou Robbie. Mas eles não esquecem que estão promovendo “um filme de autor de grande orçamento como este”, como disse DiCaprio, que provém de um dos maiores estúdios e cujo futuro dependerá de as pessoas assistirem a filmes como Era Uma Vez... em Hollywood num cinema. 

Era Uma Vez... em Hollywood é o nono filme de Tarantino e, segundo afirmou, seria seu penúltimo filme. DiCaprio e Pitt acreditam. “Sempre imaginei que ele teria uma pequena coleção”, lembrou DiCaprio. “Tarantino 10”, concluiu Pitt.

Como muitos projetos controvertidos de Tarantino, Era Uma Vez está no centro de discussões sobre se é moral realizar um filme sobre Tate e Manson que tem no elenco Emile Hirsch, que em 2015 assumiu a culpa por atacar uma executiva de um estúdio.

Também houve um momento tenso numa coletiva de imprensa no Festival de Cannes quando uma repórter perguntou por que o personagem de Robbie tem tão poucos diálogos e Tarantino respondeu bruscamente que rejeitava essa hipótese.

É claro que os atores o admiram e a sua arte. É o tipo de admiração que pode fazer com que verdadeiros astros do cinema falem dele como seus fãs. “Sabe que esse filme tem uma versão de quatro horas?”, disse Pitt, emocionado. “Sim!”, respondeu DiCaprio. “Ainda estou esperando para ver a edição de quatro horas do filme Django.” /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO.

 

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