Equipe de 'Robocop' apresenta o filme no Rio

'É como se estivesse jogando Monopoly em uma escala gigantesca', conta Michael Keaton

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2014 | 18h08

"Só aceitei fazer o novo Robocop porque soube que a direção era de José Padilha, um diretor que eu adoro. Eu sabia que ele traria algo de novo para a história, que não seria mais um remake sem identidade, pensado para fazer dinheiro e tirar proveito de uma base de fãs já existentes. Isso tudo já foi feito", disse o ator Joel Kinnaman ao Estado na tarde desta segunda-feira, quando ele, Padilha e o ator Michael Keaton conversaram com a imprensa sobre o novo filme. "Eu, que sou fã dos filmes do José, sabia que ele teria ideias fortes sobre o assunto. E isso mudou tudo e me fez aceitar o papel", continuou o ator sueco radicado nos EUA, que visita o Brasil pela primeira vez.

Kinneman e Keaton estão no Rio para a pré-estreia brasileira do filme, que ocorre na terça-feira, na capital fluminense. Robocop, que já entrou em circuito internacional e fez sua estreia nos EUA neste fim de semana, chega às telas brasileiras no dia 21, próxima sexta. Em cartaz em mais de três mil salas norte-americanas, o filme ficou em terceiro lugar entre as maiores bilheterias, atrás de Uma Aventura Lego e About Last Night.

A expectativa para o Brasil, cujo número de salas vai ser definido nos próximos dias, é otimista. "Espero que os brasileiros gostem deste novo Robocop. Ele tem muito do olhar atento de José", completou Kinnaman, que era fã do personagem quando criança. Para Padilha, há uma linha que une seu Robocop a seus Tropa de Elite 1 e 2. "O Robocop o que é? É um policial que é programado para fazer certas coisas sem pensar. E dentro desta máquina há um homem que se opõe a isso. Este conflito entre a automatização e a desumanização da violência, do fator humano, ocorre dentro do personagem. Achei esta sacada do Verhoeven (Paul, que dirigiu o primeiro Robocop em 1987) genial", declarou Padilha ao Estado. "Não conscientemente visitei o Robocop para fazer o Tropa de Elite 1 e 2. Estes saíram da minha experiência em Ônibus 174, mas, se você parar para pensar, o  conceito implícito no personagem do Robocop está presente no Tropa. E está presente neste Robocop novo que a gente fez. A ideia de que a automatização da violência abre uma janela para o fascismo é  uma ideia importante, que perpassa desde a questão da ocupação dos EUA no Iraque até a polícia brasileira", continuou o diretor. "Já neste novo Robocop quisemos falar desta questão dentro do contexto da tecnologia. E não no contexto da doutrinação. Isso, da tecnologia, está acontecendo agora. Há pouco houve um debate nos EUA sobre o fato de drones (aeronaves não tripuladas) poderem matar, ou não, um americano no Afeganistão. Os afegãos, os drones podem matar, mas os americanos não. Esta questão  do filme é  real e atual."

Para o ator Michael Keaton, que na trama vive Raymond Sellars , o criador da OmniCorp, o  novo Robocop também diz respeito à corporativização do mundo e à luta pelo poder. "Este filme abre um leque de assuntos para se pensar. E há um grande paralelo com a realidade em que vivemos. Sellars não faz o que faz somente por dinheiro, mas também por poder, pelo desafio, para testar seus limites. É como se estivesse jogando Monopoly em uma escala gigantesca", declarou o ator, cujo personagem luta para que seus drones passem a habitar as ruas dos EUA e sejam sejam usados também para o combate ao crime nas grandes cidades.

Enfrentando resistência nos EUA, avessos ao fato de que os drones não possuem consciência humana, Sellars se aproveita do fato de que o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) foi ferido e está entre a vida e a morte para transformá-lo no Robocop e criar o primeiro 'drone humano'.

Keaton e Kinnaman estão visitando o Brasil pela primeira vez e contaram que têm planos de voltar ao País em breve. "Estou no Brasil há dois dias. Não vi muito ainda, mas passeei um pouco. Sempre quis vir ao Brasil. Adoro música brasileira, sobretudo funk, Seu Jorge e Astrid Gilberto. Sem contar que adoro futebol, cinema brasileiro também. Sei que os brasileiros detestam quando eu digo, mas até agora só estive na Argentina", brincou Kinnaman, que, terminado o trabalho no lançamento do filme, quer surfar um pouco.

A Trama. Remake do longa dirigido por Paul Verhoeven em 1987, a história agora se passa em 2028, quando os drones são amplamente usados fora dos EUA para manter a ordem em países que recebem as forças armadas norte-americanas. A empresa que os criou, a OmniCorp, comandada por Raymond Sellars (Michael Keaton) quer que eles passem a habitar as ruas dos EUA, mantendo deseja que eles sejam usados também para o combate ao crime nas grandes cidades. Enfrentando resistência nos EUA, avessos ao fato de que os drones não possuem consciência humana, Sellars se aproveita do fato de que o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) foi ferido e está entre a vida e a morte para transformá-lo no Robocop e criar o primeiro 'drone humano'.

Um dos trunfos apontados pelos críticos norte-americanos e europeus é o fato de que o fator humano ganha destaque nesta nova trama. De fato. Sob as lentes atentas e irônicas de Padilha, Murphy burla a programação robótica que recebe e se torna de fato um ser híbrido. A trama, em vez de se calcar no duo em branco-e-preto do clássico 'bemXmal', ganha tons de cinza em que se evidencia a discussão sobre o avanço da ciência, a ética, a manipulação da mídia e os interesses das grandes corporações. Angustiado e obstinado, o novo Murphy é menos caricato e faz com que as cenas de vídeo-game se tornem uma busca humana. Destaque para o impecável Samuel L. Jackson no papel do apresentador de telejornal sensacionalista Pat Novak. 

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