Entrevistas antigas redefinem mitologia de <i>Star Wars</i>

Star Wars está tão firmemente entranhado no firmamento da cultura pop que seu sucesso - num universo cinematográfico de muito tempo atrás - pode parecer algo que estava escrito nas estrelas. Mas a realidade não foi bem assim, de acordo com a revista especializada em cinema Hollywood Reporter.Na comemoração do 30.º aniversário do filme, George Lucas vai juntar-se a muitos de seus colaboradores numa exibição especial que será realizada nesta segunda-feira, 23, no Goldwyn Theater, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.Ao mesmo tempo, a editora Ballantine Books está lançando The Making of Star Wars, de J.W. Rinzler, descrito como "a história definitiva por trás do filme original."Mais do que um simples livro promocional sobre o "making of", o relato de Rinzler procura afastar boa parte da mitologia relativa à criação do filme que foi se formando ao longo dos anos.Editor executivo da LucasFilm, Rinzler teve ajuda nessa busca quando encontrou um baú do tesouro de entrevistas que Charles Lippincott, o vice-presidente de marketing e merchandising da LucasFilm em meados dos anos 1970, fez com os principais criadores do filme, entre 1975 e 1978.Inovações As entrevistas proporcionaram a Rinzler uma visão contemporânea das origens de Star Wars, não influenciada por seu sucesso posterior."As recordações das pessoas são falhas, e as opiniões foram se modificando ao longo dos anos", explica Rinzler, acrescentando que a descoberta das entrevistas antigas lhe permitiu "fazer algo próximo de uma história oral."Entre os aspectos esquecidos da produção do filme que ele trouxe à tona foi uma tentativa fracassada de usar a projeção frontal, o que obrigou a produção a filmar a ação diante de uma tela azul.A produção constantemente travava batalhas em duas frentes. A 20th Century Fox, cética, reduzia o orçamento do filme - quatro meses apenas antes de as filmagens começarem, em 1976, o estúdio reduziu o orçamento de US$ 7,5 milhões para US$ 6,9 milhões.Ao mesmo tempo, Lucas constantemente desafiava sua equipe técnica a criar soluções inovadoras, como a câmera de John Dykstra que definiu o que havia de mais moderno na época.Lucas pediu calmaEnquanto Lucas se via obrigado a financiar ele mesmo a maior parte da pré-produção do filme, o então chefe de produção do estúdio, Alan Ladd Jr., emergiu como herói, convencendo o estúdio a continuar a financiar Star Wars, cujos gastos adicionais tinham sido vetados.Em 25 de maio de 1977, quando o filme estreou com filas para comprar ingressos que davam voltas do Grauman´s Chinese Theater, em Hollywood, nenhum dos envolvidos com Star Wars estava convencido, ainda, de que estava assistindo a um fenômeno cultural pop. Star Wars estreou em apenas 32 cinemas americanos.O próprio George Lucas estava fechado na Goldwyn Studios, mixando a trilha sonora estéreo em oito faixas para mono, para sua estréia mais ampla.Alan Ladd lhe telefonou para lhe transmitir os primeiros resultados das bilheterias. "Calma", disse Lucas ao chefe do estúdio. "Lembre-se que filmes de ficção científica costumam se sair muito bem na primeira semana, mas depois caem para o nada. É um bom sinal, mas não quer dizer nada. Vamos aguardar umas duas semanas."Voltando-se para outras pessoas na sala, Lucas disse: "O filme estreou faz cinco horas apenas. Não quero contar vantagem antes da hora."

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