ENTREVISTA-Morgan Freeman faz ativismo social e volta à Broadway

Conhecido por filmes como "Um Sonhode Liberdade" e "Menina de Ouro", Morgan Freeman pode não ser aprimeira pessoa que vem à mente quando se fala em celebridadesque são também ativistas sociais. Mas o ator premiado com o Oscar fundou uma organização semfins lucrativos para ajudar pessoas afetadas por desastresnaturais. Ele também integra o conselho de direção da EarthBiofuels, uma empresa texana de energia renovável e biodiesel. Freeman conversou com a Reuters sobre seu ativismo e seuretorno à Broadway, no próximo mês, para atuar em "The CountryGirl". PERGUNTA: O que o motiva a falar e atuar sobre questões depolítica social, ajudar pessoas afetadas por desastres naturaise promover a energia renovável? RESPOSTA: Não sei até que ponto tenho falado sobre tudoisso, mas tento ser ativo. Falar é fácil, mas seria bom, mesmoassim, começarmos a falar sobre o que é necessário para nossasobrevivência e sobre a crise energética, cujas soluções estãoficando cada vez menos caras. P: Por que? R: Eu viajo muito, e há lugares no mundo, incluindo osEstados Unidos, em que estamos envenenando o ar simplesmentecom nosso progresso. O preço do progresso, neste momento, é nósnos envenenarmos. É o seguinte: o progresso faz parte da condição humana.Vamos continuar a inovar, a crescer, a aprender. Mas se nãofrearmos a corrida para o lucro e começarmos a pensar nacorrida para a salvação, vamos mergulhar em m.... profunda. P: Com Barack Obama candidato à Presidência, muitas pessoasandam falando sobre a mudança na conversa racial neste país. Oque o sr. pensa disso? R: Acho que precisamos parar. Precisamos começar a olharpara nós mesmos da maneira que Barack prega. Precisamos pararde nos enxergar como democratas ou republicanos, negros oubrancos, latinos ou asiáticos. Se não somos americanos, entãoquem diabos somos? Precisamos nos apressar para resolver essaparte de nosso discurso, para que possamos passar adiante. Hátantas outras coisas das quais precisamos tratar, como o meioambiente. P: Seu interesse por questões sociais afeta o tipo de papelque o sr. escolhe? R: Não. Eu apenas leio o roteiro, e se gosto, se opersonagem é interessante, eu faço. P: A gente vê nos noticiários muitos astros jovens que semetem em problemas. Como Hollywood mudou em relação à época emque o sr. estava começando a trabalhar lá? R: Hollywood mudou muito, mas os jovens sempre se meteramem problemas. Isso não é novidade nenhuma. A novidade é queagora temos todos esses programas de notícias que precisam deassunto. P: Qual é a coisa de maior valor que o sr. aprendeu em suacarreira? R: Sempre olho para o exemplo dos atores mais velhos, oscaras que eu idolatrava quando era criança e ator jovem. Essesatores sempre tinham algo a dizer, e um deles -- não vou lhedizer quem foi -- falou: "Não leve a vida muito a sério, senãovocê não sairá vivo dela". P: No próximo mês, o sr. vai retornar à Broadway numrevival da peça "The Country Girl", de Clifford Odets. Estáanimado para voltar aos palcos? P: É claro que estou. É um trabalho novo, novos atores comquem brincar, é minha volta ao teatro depois de 18 anos. P: O sr. sentiu falta do palco? R: Não. Trabalhei no teatro durante 20 anos, tentandochegar ao cinema, e estou no cinema agora há uns 20 anos. Entãosei que vou poder voltar. O teatro requer o desenvolvimento de uma instrumentaçãodiferente, mas não estou preocupado com isso. Tenho bastantecerteza de que tenho esse instrumento.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.