ENTREVISTA-Hollywood busca mais e mais o talento latino

A indústria cinematográfica deHollywood está cada vez mais interessada em astros e estrelasda América Latina para povoar suas telas, de olho nos talentoscriativos da região e também no crescente mercado consumidorhispânico nos Estados Unidos. Os latinos são o grupo étnico que está crescendo maisrapidamente nos EUA. Eles são 46 milhões de pessoas, formamcerca de 15 por cento da população e representam 20 por centodo público que frequenta cinemas no país, disse uma influenteexecutiva da indústria em Los Angeles. "O público existe e está interessado em ver rostos latinosnos filmes", disse à Reuters Christy Haubegger, especialista emmarketing multicultural da Creative Artists Agency (CAA), umadas agências de atores mais respeitada do país, tendo em seuportfólio nomes como Salma Hayek, Eva Longoria, Penelope Cruz eAntonio Banderas. A popularidade do talento latino e latino-americano, querseja em termos de novos diretores, atores, roteiristas ououtros profissionais da indústria, se deve a uma série derazões, disse ela. A primeira é que existe uma indústria em formação naregião, embora menos desenvolvida e com menos recursos que anorte-americana. Isso obriga os profissionais a explorar maissua criatividade e menos os efeitos especiais, segundoHaubegger. "Quando há menos recursos, o foco se volta a quem conta ahistória", disse ela. Enquanto Hollywood vem focando nas grandes produções, ademanda por boas histórias centradas em personagens continua aexistir. E é ai que os filmes latino-americanos e seus artistasencontram espaço. NOVOS PAPÉIS De certa forma, lembra a especialista, os astros latinossempre estiveram presentes em Hollywood. No passado, porém,seus personagens eram muito marcados por estereótipos, como alatina sedutora e o sujeito fora da lei. Agora os latinos são parte integrante da grande indústriado cinema nos EUA, já que estrelas como Salma Hayek, AmericaFerrera e Jennifer Lopez são ícones para um público muitomaior. "Elas são símbolos da beleza americana. Há uma redefiniçãode como deve ser a aparência física das heroínas", disse ela. Os canais de televisão foram os primeiros a notar anecessidade de refletir todos os grupos étnicos do país em seusprogramas, para elevar sua audiência. E o cinema procuraacompanhar essa tendência. A rede ABC comprovou essa tendência ao escolher a atrizlatina Eva Longoria como uma das personagens principais de"Desperate Housewives". Em seguida, a emissora teve um sucesso retumbante com "UglyBetty", a versão norte-americana da telenovela colombiana "YoSoy Betty, La Fea", que se converteu num dos programas maispopulares dos EUA. "Existe uma expectativa de que aquilo que se vê na telaseja um reflexo do que é realmente a sociedade americana. Háuma fome por ver mais diversidade nos personagens", acrescentouHaubegger. Christy Haubegger, que é mexicana-americana, recordoutambém que séries como "Lost" têm personagens de todos osgrupos raciais e que as crianças do país estão crescendo com aheroína latina do desenho animado "Dora, la Exploradora". Para os novos talentos da região, as oportunidades nos EUAsão "enormes", disse Haubegger. "Alguns dos melhores talentos de Hollywood têm vindo daregião. Todos perguntam 'onde posso encontrar o próximo AlfonsoCuarón, onde está o próximo Alejandro Iñarritu?"' Ao mesmo tempo, alertou Haubegger, ainda restam desafios asuperar para que os roteiristas norte-americanos pensem mais emlatinos para papéis gerais -- como, por exemplo, imaginar umdeles no papel de um médico. "Isso leva tempo", disse ela.

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