ENTREVISTA-Dennis Hopper estrela comédia eleitoral

A distância é muito grande entrerepresentar o rebelde chapado de "Sem Destino" e o candidatopresidencial da nova comédia da Disney "Promessas de UmCara-de-Pau" ("Swing Vote"), que já está nos cinemas dosEstados Unidos, mas para Dennis Hopper tudo isso faz parte deum dia de trabalho como outro qualquer. Ou, quem sabe, de umavida de trabalho. Depois de atuar em mais de 150 filmes e quase o mesmonúmero de programas de TV, o antigo rebelde de Hollywoodconquistou o status que desfruta hoje, de figura altamenterespeitada no mundo do entretenimento. Aos 72 anos, Hopper ostenta aparência perfeitamentecondizente com a do respeitado político democrata DonaldGreenleaf em "Promessas", que corteja o apático e fracassadoBud Johnson (Kevin Costner) para conseguir seu voto, já que odestino da eleição será decidido por ele. Visto em pessoa, Hopper ostenta boa forma, é bronzeado eusa cavanhaque. Ele estava animado quando sentou-se paraconversar com a Reuters sobre seu novo filme, a políticapresidencial e os anos 1960. PERGUNTA: "Promessas de Um Cara-de-Pau" e sua históriasobre a importância do voto não poderiam ser mais apropriadospara nosso momento. RESPOSTA: Sim, é uma comédia, mas é muito mais que isso. Naeleição que opôs Bush e Gore, a decisão foi dada pela Flórida,o último Estado. Poderia facilmente ter sido dada por um únicovoto e uma máquina quebrada, de modo que a premissa (do filme)é possível. P: Você vê paralelos com a vida real quando você e KelseyGrammer, que faz o presidente em exercício, vão a uma pequenacidade do Novo México para tentar conquistar o voto de Bud? R: É claro, e nós dois mudamos nossas posições paraconseguir esse voto. É muito semelhante a assistir ao que estáacontecendo na corrida eleitoral maior. P: O cenário político atual lhe inspira esperança? R: Sim, acho que o que está acontecendo hoje é muitosaudável. Acho que McCain e Obama são as pessoas certas paraestarem debatendo quem será nosso próximo presidente. Vamosouvir os dois lados da discussão, e o momento é bom para fazeruma opção. Há um ressurgimento enorme do interesse pelapolítica, e isso é ótimo. P: Você também tem vários outros filmes para sair,incluindo "Elegy", com Penelope Cruz, e "Hell Ride", produzidopor Quentin Tarantino, além de estar atuando no seriado de TV"Crash". E você tem uma retrospectiva de filmes e exposição dearte em Paris em outubro. Você é workaholic? R: Acho que sim. Estou no meio de "Crash", que é baseado nofilme premiado com o Oscar. É um papel maravilhoso para mim.Faço um magnata musical, alguém ao estilo de Phil Spector, quebrinca com armas e facas. É para a (rede de TV a cabo) Starz,então não há restrições de linguagem ou cenas de sexo. P: Quando você olha para trás, como vê os anos 1950, 1960 e1970, quando fez filmes que marcaram época, como "JuventudeTransviada", "Assim Caminha a Humanidade" e "Sem Destino"? R: Não costumo olhar para trás muito, se bem que, pelo fatode fazer esta retrospectiva em Paris, onde vão exibir 50 filmese metade de minha coleção de arte e de minha própria criaçãoartística, tenho sido obrigado a fazê-lo. Aquela foi uma épocamuito especial, quando os loucos realmente conseguiram tomarconta do hospício por um minuto, começando com "Sem Destino".Durante um momento breve, parecia que realmente havia ummovimento de cinema independente. Mas então acabou.

IAIN BLAIR, REUTERS

08 de agosto de 2007 | 13h52

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