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Entrevista de Bette Davis reaparece 25 anos após sua morte

Atriz da era dourada de Hollywood foi indicada 11 vezes ao Oscar de Melhor Atriz, e ficou conhecida com filmes como 'A Malvada'

EFE

06 de outubro de 2014 | 15h47

LOS ANGELES - Há 25 anos morria Bette Davis. Para marcar a data, a rede de televisão PBS desengavetou uma entrevista da lendária atriz, que, ao mesmo tempo em que seduzia com seu olhar enigmático, incomodava Hollywood com suas opiniões.

Na série de internet Blank on Blank, a PBS recuperou uma conversa de 1963 entre Bette Davis e a jornalista Shirley Eder, em que a diva do cinema mostrava mais uma vez não ter papas na língua. “Sempre disse o que penso, ainda que digam que em Hollywood não se possa fazer isso”, assegurou a intérprete que criticava a hipocrisia da indústria cinematográfica.

“Acredito que se pode ser respeitado em Hollywood dizendo a verdade, como em qualquer outra parte, ou eu não teria tido uma carreira”, manifestou a atriz, que faleceu em decorrência de um câncer, em 1989, na França.

Davis concorreu 11 vezes ao Oscar de Melhor Atriz e ganhou duas estatuetas, por Perigosa (1935) e Jezebel (1938). Ela manteve uma relação conflituosa com os estúdios, como foi o caso da Warner Brothers, para quem trabalhou entre 1932 e 1949, período em que rodou 52 filmes. Convencida de que a empresa oferecia papéis que não estavam a sua altura, Davis recorreu à justiça para romper o contrato, mas perdeu a causa.

“As mulheres são parte essencial do cinema, mas os roteiristas não escrevem sobre mulheres. Acredito que estão muito perplexos sobre toda a situação da mulher”, opinou a atriz, que diz que a inteligência é um terrível obstáculo para a mulher, tanto nos negócios, quanto na vida privada. “Acho que nos negócios é ainda pior, porque há um profundo ressentimento por parte dos homens. Todas trabalhamos para homens, são eles que estão no comando, e creio que preferem as mulheres que não têm capacidade de pensar por elas mesmas. É mais fácil ter como inimigas mulheres com cérebro, eu acho, entre o sexo oposto”, declarou entre risadas.

Davis via a atitude dos homens na década de 1960 como retrógrada e não hesitava em afirmar a necessidade de entender que a mulher havia deixado de ser uma mera acompanhante em segundo plano. “Penso que milhões de mulheres estão muito felizes de serem elas mesmas. Estão tão entediadas com essa história de tentar ser pouca coisa quando essa realidade já não existe... O mundo superou isso”, explicou.

Bette Davis não ocultava sua vontade de ser dona de casa quando não estava trabalhando. Em 2008, seu filho Michael Merrill, contou à EFE que sua mãe não reclamava na hora de fazer tarefas domésticas ou de levar seus filhos à escola, ainda que desaparecesse por períodos de três a cinco meses, quando filmava um longa. “Ela soube encontrar um equilíbrio e fazer um grande trabalho como mãe”, assegurou Merrill, apesar de destacar que a carreira era o mais importante para Davis.

Seus trabalhos de mais destaque são O Que Aconteceu com Baby Jane? (1962), A Malvada (1950), A Estranha Passageira (1942) e Pérfida (1941). Em suas declarações a Shirley Eder, Davis não escondeu sua frustração pelas reticências de Hollywood a assumir mais riscos. “Sempre há essa velha desculpa aqui, de que agora não é o momento de fazer um filme como esse”, disse a atriz que não acreditava que o público soubesse o que queria ver, até que se deparasse com o filme na tela.

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