ENTREVISTA-Curiosidade e orgulho movem Daniel Day-Lewis

Daniel Day-Lewis é um dos maioresatores de sua geração, celebrizado por papéis diversos que vãodesde o de uma vítima de paralisia cerebral, em "Meu PéEsquerdo" (que lhe valeu um Oscar), até o que faz em "SangueNegro", nos cinemas neste momento. Este último filme traz o ator britânico, de 50 anos, comoum explorador de petróleo do início do século 20, DanielPlainview, que enriquece tremendamente, mas paga um preçopessoal por isso que afeta sua alma. Day-Lewis é conhecido por mergulhar profundamente em seuspapéis, mas, em entrevista à Reuters, mostrou-se espirituoso ebrincalhão ao falar sobre seu trabalho, seu novo filme, a vidacom sua mulher, a roteirista e diretora Rebecca Miller, e astatuagens que tem nos braços. P: Já se passaram dois anos desde que o vimos em "A Baladade Jack e Rose", que foi escrito e dirigido por Rebecca. O quevocê vem fazendo desde então? R: Estive trabalhando. Levamos três anos para fazer estefilme ("Sangue Negro"). Dois anos de preparação, quatro oucinco meses de filmagens e um ano fazendo a edição. P: Conversei com Paul Thomas Anderson, o roteirista ediretor de "Sangue Negro", e ele disse que você e elecolaboraram estreitamente no roteiro e no desenvolvimento dopersonagem de Daniel Plainview. R: Paul não precisou de ajuda com o roteiro. Tendo decidotrabalhar juntos, passamos meses e meses discutindo opersonagem de Daniel. Posso passar dez anos fazendo um filme,se o tema me interessa. É preciso limitar as filmagens, porquenão é possível garimpar mais que um certo tanto em nós mesmos.Mas o período de preparação é um período de alimentação. P: O que você fez ao longo de três anos para preparar erealizar o filme? R: É difícil dar uma resposta específica. Mas cada parte dotrabalho exige que você imagine um mundo, e então tenteentender aquele mundo através dos olhos e da experiência de umser humano que não é você. P: Como, então, é o mundo visto pelos olhos de DanielPlainview em "Sangue Negro"? R: Existe uma parte dentro de nós que ainda é realmenteanimalesca. Se você colocar qualquer ser humano em certascircunstâncias, você praticamente o reduzirá a um estado deselvageria primitiva, se for isso o que a pessoa precisa parasobreviver. Parte do trabalho que é recompensador consiste emromper as cercas dentro das quais vivemos e explorar áreas quesomos obrigados a manter refreadas. Brincar naquele lamaçalpode ser uma coisa que traz alegria. P: No meio do filme, Plainview faz um discurso sobre araiva, a competitividade e o que o move. O que move DanielDay-Lewis a dar o melhor de si? R: A curiosidade. O orgulho. Orgulho, porque quase sempresinto orgulho por estar fazendo o trabalho que realizo naquelemomento. Há, também, o outro tipo de orgulho, o de não quererparecer um idiota. Isso também ajuda. P: A resposta deixa implícito que você tem que assumirgrandes riscos. Dizem que os grandes riscos trazem grandesrecompensas. R: É preciso assumir grandes riscos, sim. Mas sempre queuso esse termo com relação ao que faço, eu penso: 'Qual seria apior coisa que poderia me acontecer nessa profissão?' Sabe, opior que poderia acontecer é você ficar com cara de idiota. Nãosei se isso é realmente assumir um risco. É um risco debrincadeira, por assim dizer. P: Observei as tatuagens em seus braços. São mãos. Elasrepresentam alguma coisa em particular? R: Sim, representam. Essas são as mãos de meus filhos. Esta(apontando) é a mão de meu filho de 12 anos. Ele tem a mãomenor. Depois disso, os filhos de 9 e 5 anos.

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