Alexandre Lima/Divulgação
Alexandre Lima/Divulgação

Entrevista com o diretor de 'Tropa', José Padilha

Cineasta diz que filma para provocar polêmica e animar discussões; tema agora é responsabilidade do Estado

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo,

06 de abril de 2010 | 13h11

O público vai encontrar mais ação e violência no Tropa 2?

 

Essa seria a lógica das continuações, mas não fomos por aí. O primeiro roteiro era mais comercial, não porque quiséssemos ou procurássemos isso. O que filmei é o anti-comercial, mas também não foi liberado. Queria surpreender as pessoas e me surpreender. O filme tem grandes cenas de ação, mais espetaculares, talvez. Trouxemos especialistas de ação dos EUA, menos do que no Tropa, porque eu já havia aprendido bastante no primeiro filme e a equipe toda é muito afinada. O que importa aqui é o antagonismo entre Nascimento e Fraga. Disseram que eu era de esquerda ou direita no Ônibus e no Tropa 1. A dicotomia faz a força de Tropa 2, a serviço de uma discussão sobre o Estado, que é o que me interessa.

 

Não é arriscado assumir a própria distribuição?

A Zazen (empresa produtora de Padilha e Marcos Prado, seu sócio) inaugura um novo braço, o da distribuição. Juntamos à equipe um profissional experiente, Marco Aurélio Marcondes, com mais de 30 anos de mercado. A ideia é garantir nossa independência e procurar evitar o vazamento. Perdemos em aporte financeiro, que teríamos com as majors, mas estamos ganhando outras coisas. Espero provar a viabilidade de particulares investirem dinheiro próprio, e lucrarem com o cinema brasileiro.

 

Em todo canto desse set, só ouço falarem no Irandhir Santos como gênio. Por quê?

Ah, mas você vai ver. Porque ele é. Irandhir se joga no papel com intensidade. Ele se prepara muito. É um monstro, como o Wagner (Moura). E é ator. Ele chega aqui Irandhir, vai embora Irandhir, mas, quando ouve o ‘Ação!’, vira o Fraga. Você já teve um trailer. Há pouco, precisava só que ele se movimentasse em cena, para filmar o olhar do público que o seguia. Não adianta pedir menos. Ele veste a pele do personagem e vai fundo. Irandhir é um fenômeno.

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