"Entre Casais" traz boas questões sobre casamento

Entre Casais, filme alemão de Andreas Dresen que estréia hoje, é um filme sob vários aspectos interessante. Você é até capaz de se divertir e emocionar com a história dos dois casais que, numa noite de recordações percebem que tanto suas amizades como seus casamentos tornaram-se rotineiros. O casal que parte comenta, no carro, alguma coisa do tipo: "Dá para ver que eles estão em crise." Na verdade, os dois casais estão, pois logo em seguida o marido desse casal que partiu vai para a cama com a mulher do outro. Aliás, nem vão para a cama - pois praticam o adultério dentro do carro, sob uma ponte. É inverno, há neve e a estação participa desse (r)esfriamento das relações, que é um dos problemas das modernas sociedades urbanas. A aventura no carro adquire uma dimensão maior. O marido traído chama a mulher, o amante e a outra mulher (a traída) para uma conversa. Sentam-se ao redor de uma mesa. Tudo muito civilizado - o que vai acontecer agora? Nada de choro nem ranger de dentes. Os casais se separam, mas permanecem velhos elos - que uns querem romper e dos quais outros não conseguem (nem querem) desvencilhar-se. Um casal efetiva a separação, o outro volta atrás, mas o fim celebra a vida. Há esperança, mas não happy end em Entre Casais. Dresen faz do seu filme uma conversa sobre a natureza do casamento e as expectativas das pessoas.

Agencia Estado,

15 de outubro de 2004 | 12h43

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