Lucy Nicholson; Reuters
Lucy Nicholson; Reuters

'Entender o coração e a mente das mulheres é o desafio do homem', diz James Cameron

Diretor de 'Avatar' e 'Titanic', James Cameron é responsável, agora, por 'Alita: Anjo de Combate', que estreia nos cinemas dia 14 de fevereiro

Redação, EFE

04 Fevereiro 2019 | 17h30

O cineasta James Cameron, responsável por algumas das maiores bilheterias da história do cinema, disse à Agência Efe que "entender como funciona o coração e a mente das mulheres é o grande desafio do homem nesta civilização" ao apresentar a sua mais recente produção, Alita: Anjo de Combate, que chega aos cinemas brasileiros no dia 14 de fevereiro.

Em entrevista em Londres, Cameron explicou que se propôs a "decifrar esse código" ao escrever o roteiro da nova ficção científica futurista, dirigida pelo amigo Robert Rodríguez e baseada no mangá dos anos 90 do japonês Yukito Kishiro.

O longa-metragem, produzido por James Cameron e Jon Landau, que também foi seu colaborador em Avatar e Titanic, narra a evolução e as aventuras da ciborgue Alita, uma jovem adolescente que acorda sem lembranças em um mundo pós-apocalíptico, três séculos depois de uma catástrofe tecnológica.

Com a ajuda do doutor Dyson Ido (Christoph Waltz), que reconstrói o seu corpo danificado, Alita (Rosa Salazar) vai lembrando o seu passado e seu verdadeiro espírito de lutadora, com o qual tentará mudar a ordem estabelecida.

Com uma estética ciberpunk - que mistura decadência e alta tecnologia -, músicas pesadas e efeitos especiais, o filme apresenta uma trama de suspense com muita ação e personagens surpreendentemente sólidos, principalmente a protagonista.

"Sempre gostei das personagens femininas fortes, mas esta era diferente. Por se tratar de uma adolescente, passa por grandes momentos na sua transformação para mulher, precisa encontrar a sua identidade, o seu lugar no mundo", contou o cineasta canadense.

Cameron revelou que, quando há 20 anos foi apresentado ao mangá de Kishiro pelas mãos do amigo Guillermo del Toro, pensou imediatamente em levá-lo ao cinema, por sua filha, que tinha 6 anos.

"Pensei: 'tenho que fazer algo para ela, devo ver o mundo através dos olhos de uma mulher jovem, que cresce e encontra o seu lugar', e me pareceu que esta era a maneira de fazer isso, mediante a fantasia e a ficção científica", afirmou.

Embora tenha se apaixonado pelo tema, o projeto cinematográfico ficou parado durante vários anos, enquanto Cameron completava outras obras, até que um dia decidiu convidar Rodríguez para dirigir o filme.

"Eu sabia que ele era a pessoa adequada para fazer um grande filme quando me ajudou com o roteiro. Reduziu as minhas 189 páginas para 129 sem excluir nada fundamental da história", contou.

Cameron disse que o filme "não teria saído" se não tivessem encontrado em Rosa Salazar a atriz ideal para interpretar Alita, capaz de combinar ingenuidade, generosidade e força, ou se as imagens geradas por computador (CGI) "não tivessem funcionado".

Salazar, cuja atuação foi processada com tecnologia de captura de movimento, teve que se colocar na pele de uma menina "ingênua e muito aberta emocionalmente, que à medida que descobre o seu passado ganha confiança e se torna mais complexa".

Na opinião do cineasta, o interessante de Alita como heroína é ser combativa, mas com um grande coração: "Ela luta para proteger os que gosta, ou seja, o amor em primeiro lugar".

"Não é uma guerreira desalmada, não é uma máquina, embora tenha um corpo cibernético, mas o contrário. Por isso, quando se pinta a cara com sangue, como no cartaz publicitário, é sangue de inocentes", relatou.

 

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