Entenda a ameaça de greve em Hollywood

As agitações trabalhistas que ameaçam Hollywood começaram em maio do ano passado. A primeira briga foi com as agências de publicidade, e os atacantes eram o Screen Actors Guild (SAG) e a American Federation of Television and Radio Artists (AFTRA), que reclamavam das agências que usam atores não sindicalizados e assim se livram de obrigações trabalhistas.Poucos dias depois, assumiram uma nova bandeira: ressarcimento pelo uso de imagens em vídeo e televisão a cabo do início da década de 80 até então. Durante sete semanas nenhuma reunião aconteceu entre os sindicatos e os representantes das agências, distribuidoras de vídeo e programadores de tevê a cabo. Os 135 mil membros do sindicato iniciaram então os piquetes, em junho de 2000. Dia 26 de agosto o ator sindicalizado William Ray Embry faleceu durante uma passeata, num colapso resultante de um aneurisma - o que pressionou para que as negociações começassem. Em setembro, o sindicato mais caloroso da classe artística, o Writers Guild of America (WGA), que reúne 11 mil escritores e roteiristas, aderiu à causa, propondo a reavaliação dos contratos salariais de seus membros com os estúdios de TV e cinema dos Estados Unidos, representados pela Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP). Eles diziam que estes contratos, que costumam ter validade por três anos, não previam o uso de obras em outras tecnologias que não televisão e cinema, como Internet, DVD, VHS e vendas para o estrangeiro.Essa reivindicação também foi adotada pelos sindicatos de atores, que em outubro articulou algumas reuniões com a AMPTP na tentativa de firmar novos contratos - o que não aconteceu. No ínício de dezembro a SAG contatou a Alliance of Canadian Cinema, Television & Radio Artists (ACTRA), o sindicato canadense, conseguindo a adesão de mais 15 mil atores. Poucos dias depois, na última reunião com seus empregadores, quase se chegou à unanimidade contratual.As primeiras negociações com o WGA começaram também em dezembro. Não deu certo: a AMPTP disse que as exigências dos roteiristas significariam gastos em torno de US$ 2,5 bilhões por três anos (no contrato atual o custo trianual com roteiristas é de US$ 161 milhões). Nessa conta, a AMPTP diz ter levado em consideração os impactos que as cláusulas da WGA faria sobre acordos com outros sindicatos. A WGA tem rebatido a afirmação dizendo que os gastos totais não ultrapassam os US$ 725 milhões pelos próximos três anos, mesmo considerando os outros sindicatos. É este o atual impasse.Apesar do "quase acordo", a SAG não conseguiu ainda aprovar um contrato definitivo - a entidade tem fama de desorganizada. Mas espera, estrategicamente, o vencimento dos contratos dos roteiristas dia 2 de maio, que deve provocar a indústria de alguma forma. Se ainda assim não houver acordo, o contrato da categoria de atores expira em 30 de junho - outra greve. E se ainda assim nada acontecer, em junho de 2002 termina o contrato do Directors Guild of America - sindicato dos diretores, que tem apoiado abertamente as outras classes, além de também querer modificar seus contratos. Mas se nada acontecer... Bom, já dá para imaginar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.