"Enigma" narra briga de gênios na 2ª Guerra Mundial

Nos bastidores da sangrenta 2.ªGuerra Mundial desenrolou-se uma interessante luta intelectual:a codificação e decodificação de informações. A tecnologiaaperfeiçoara ao máximo o antigo desafio militar de passarinformações entre si e aliados sem que elas caíssem em mãos deinimigos. Um alemão, Arthur Scherbius, inventou a Enigma,máquina de criptografia que representou uma revolução na área,pois automatizava o disfarce de informações. O filme de MichaelApted, também chamado Enigma, fala da história real de umembate de cérebros alemães e ingleses durante uma operação navaldecisiva para o desfecho da guerra.Tom Jericho (Dougray Scott) faz um gênio matemático queconsegue quebrar a criptografia alemã e saber com antecipação osmovimentos do inimigo. Jericho é tão genial quanto instável eentra em crise ao se apaixonar por Claire (Saffron Burrows), umacolega de trabalho com fama de devoradora de homens. Mais tarde,ele será chamado de volta, para tentar quebrar o código alemão,e será ajudado por outra garota, Hester (Kate Winslet, deTitanic).Não é mau filme. O problema parece ser uma certahesitação no tratamento do tema. Em seu interessante O Livrodos Códigos, Simon Singh gasta uma centena de páginasexplicando o que foi a Enigma e qual seu papel na história dacriptografia. Bom assunto, interessante ao extremo, mas talveznão seja exatamente o que grande público busca no cinema. Exigeque se pense em termos de matemática combinatória, entre outrascoisinhas.Enfim, Apted deve ter entendido que era uma roubadadesenvolver o assunto como deveria, e passa por cima dele comogato por água fria. Enfim, o espectador bóia. Não conseguecompreender o enredo, não porque seja burro, mas porque faltaminformações. Resultado: o que poderia ter sido um belo filme deespionagem, acabou ficando pouco mais que convencional.Enigma (Enigma) Dir. Michael Apted. Ing-Alem-EUA/2001.Dur. 117 min. 14 anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.