Encontro põe em pauta o novo cinema paulista

Com apresentação do crítico Amir Labaki, que também fez a curadoria do evento no Centro Cultural Banco do Brasil, realizou-se no sábado o segundo debate do ciclo Cinema Paulista - Retomada com Renovação. O primeiro, no sábado anterior, chamou-se O Que e mostrou que a ousadia do novo cinema de São Paulo não tem respaldo de público: os filmes, incensados pelos críticos, não fazem boa bilheteria. O segundo intitulou-se Como. Discutiu preferencialmente a estética do novo cinema paulista. Foi rico em metáforas.A crítica e escritora Lúcia Nagib, uma das debatedoras, procurou definir primeiro a essência do cinema brasileiro da retomada, para só depois chegar ao cinema de São Paulo. Citou Central do Brasil. Viu no próprio título do filme famoso de Walter Salles essa disposição do cinema posterior à era Collor de colocar na tela não só as caras do País, mas também de fazer dos filmes o centro de um movimento de (re)descoberta da nossa identidade, enquanto nação. Central do Brasil e também Latitude Zero, de Toni Venturi, que estréia na sexta. Venturi é um diretor de São Paulo. Baseou-se num original do escritor, dramaturgo e roteirista Fernando Bonassi, que também estava na mesa. Latitude zero - o ponto inicial de um novo cinema paulista.Aurélio Michilles, o terceiro debatedor - dirigiu O Cineasta da Selva, sobre Silvino Santos -, prosseguiu com as metáforas de Lúcia. Além de Central do Brasil e de Latitude Zero, lembrou a proximidade geográfica do CCBB-SP, do marco zero da cidade. Fez isso para colocar-se à margem. São Paulo e seu cinema, o mundo, segundo Michilles, foram todos vistos a distância, pois sua formação deu-se no Amazonas. Ele defendeu a imaginação como ferramenta de trabalho dos artistas. Disse que navegar na imaginação - sua metáfora foi sempre o Rio Amazonas - não impede nem diminui o comprometimento com o real.Bonassi faz parte de um grupo de diretores e escritores agrupados em torno da personalidade de Jean-Claude Bernardet, o crítico que foi professor de todos eles na ECA-USP. Bernardet ensinou a todos que, se queriam fazer um cinema criativo de baixo orçamento e alto comprometimento social, deviam criar uma dramaturgia coerente com essa proposta. Labaki fez o fecho do debate. O cinema paulista não é de autor. É de autores. Os filmes resultam de várias colaborações. Todos trabalham para colocar na tela as caras de São Paulo. E, até porque muitos vieram do curta-documentário, é um cinema urgente, comprometido com o real.

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