Encontro com o Cinema traz Zelito Viana

Dando continuidade ao projeto Encontro com o Cinema, o Sesc Pompéia traz, nessa quarta-feira, o diretor Zelito Viana para um debate com o público, após a exibição de seu mais recente filme, Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão, a partir das 18h30. O evento marca também o lançamento de um CD com a bela trilha sonora do filme e do livro homônimo, que reúne o resultado obtido por Viana em mais de dez anos de pesquisas sobre o mais importante compositor da música brasileira.A idéia inicial do cineasta era lançar livro e CD quando o filme estreou nos cinemas, o que acabou não acontecendo. "Algumas dificuldades para o acerto em relação aos direitos autorais das músicas acabaram atrasando o CD", explica o diretor. Zelito Viana acha importantíssimo o contato direto com o público e diz que oportunidades como a proporcionada pelo Sesc Pompéia são raras. "Para o realizador, é fundamental conhecer a reação das pessoas a determinadas cenas e saber o que funcionou e o que não", afirma. "Isso proporciona um aprendizado."Segundo ele, Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão teve boa recepção do público. "Fizemos 200 mil espectadores, o que é bem razoável." De fato, se for levado em conta que se trata da vida de um músico erudito, conseguir esse público foi um feito considerável, ainda que Lobos ambicionasse ser um músico popular como fica evidente no filme. É digno de nota que Zelito tenha feito com que mais gente conheça a obra de um músico brasileiro que, ironicamente, é mais conhecido na Europa, com direito a verbete na Enciclopédia Britânica.Além disso, a produção tem narrativa não linear. Viana preferiu mostrar o maestro pouco antes de um concerto em sua homenagem, quando ele rememora várias fases da vida.O que poderia ser uma enorme confusão, acaba bem pontuado pela escolha de atores diferentes para cada fase da vida do compositor. Enquanto André Ricardo faz o menino, Marcos Palmeira, filho do diretor na vida real, interpreta Villa-Lobos na fase jovem. Antônio Fagundes, num trabalho magistral, faz o maestro já consagrado.Entremeando a história, outro grande trunfo do filme: a música de Villa-Lobos. É um show à parte. Falar que são ótimas é chover no molhado. Mas não é exagero dizer que, graças a elas, o filme funcionaria até sem imagens. Isso já aconteceu. A produção promoveu uma sessão especial para cegos no Rio de Janeiro e Viana conta que foi aplaudidíssimo. "Infelizmente eu não estava lá, mas minha mulher foi e conta que ficou emocionada".A trilha sonora, regida por nomes que conhecem bem a obra de Lobos, é um registro memorável. O maestro Sílvio Barbato talvez o nome que mais pesquisa a obra de Villa-Lobos, rege seis músicas à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira. Os críticos musicais destacam a presença da soprano Bidu Sayão. Pena que algumas músicas não estejam completas.Para Viana, o filme deveria ter ficado mais tempo em exibição. "Até hoje encontro gente que queria assistir, mas quando foi ao cinema, ele já havia saído de cartaz."Por conta disso, Zelito Viana acredita que seu filme tem uma demanda reprimida, à qual ele pretende atender com o lançamento em vídeo e DVD. "Tenho boa expectativa especialmente em relação ao DVD, que garante uma qualidade de som excepcional para as músicas."Os coordenadores do projeto Encontro com o Cinema estão animados com os bons resultados. "Já fizemos oito debates, todos com a sala cheia", conta a coordenadora, Simone Yunes. A partir de agora, as projeções dos filmes ficarão a cargo de José Luis de Almeida, um dos mais conceituados projecionista do Brasil.Serviço - Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão. Exibição do filme amanhã (20), às 18h30, com debate às 21 horas. Grátis. Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. (0--11) 3871-7700

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