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'Emocionar as pessoas significa absolutamente tudo para mim', afirma Harrison Ford

Ator fala sobre trabalhar em 'Blade Runner 249', sequência do clássico de Ridley Scott

Antonio Martín Guirado , EFE

06 Outubro 2017 | 14h35

Humano ou replicante? O dilema sobre a natureza de Rick Deckard, o maior da ficção científica, permanece latente em Blade Runner 2049, a sequência do clássico de Ridley Scott que vem entusiasmando Harrison Ford: “Emocionar as pessoas significa absolutamente tudo para mim”.

“Quando vi o filme, me senti vazio e feliz ao mesmo tempo. Você se entrega por inteiro. Já tinha visto umas partes, mas contemplar o resultado final, nessa escala tão épica e operística, superou todas as minhas expectativas. É brilhante”, disse o famoso ator de 75 anos em entrevista.

“Vi coisas em que você não iria acreditar”, disse o androide Roy Batty (Rutger Hauer) em uma das citações mais memoráveis de Blade Runner, cuja história se passa em 2019.

Agora, a sequência dirigida por Denis Villeneuve vem suscitando louvores que, de tão fervorosos, garantem que o filme até superou o original, incluído desde 1993 no Arquivo Nacional de Filmes da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, sob a categoria de tesouro nacional, por sua influência na cultura americana.

O inegável é que Blade Runner 2049 é um espetáculo majestoso que mistura perfeitamente mistério e emoção, com um trabalho impecável do diretor de fotografia, Roger Deakins, e do designer de produção, Dennis Gassner, além da poderosa trilha sonora criada por Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch, com ecos do inesquecível trabalho de Vangelis.

“Fazer esse filme era uma oportunidade que não podia escapar”, disse Ford. “Eu sabia que estava nas mãos de Denis, alguém que iria fazer justiça ao original e conduzir as coisas com sabedoria, se cercando dos melhores parceiros possíveis. Fiquei atraído pela ideia de preencher as lacunas da história e, acima de tudo, fui levado por seu impacto emocional”.

Para a Ford, responsável por dar vida a alguns dos personagens mais carismáticos do cinema, como Indiana Jones e Han Solo, “emocionar as pessoas significa absolutamente tudo, e aqui há, nesse sentido, uma recompensa que eu não imaginava”.

“Acho que o auge do ofício da narração é criar um entretenimento que faça as pessoas pensarem e se emocionarem”, disse ele.

Deckard, agora um lobo solitário, deixou de ser caçador de androides e dessa vez é objeto da caçada dos replicantes. Aí está o grande mistério dessa sequência, que transforma o agente K (Ryan Gosling) em protagonista logo depois de ele descobrir um segredo que poderia romper o equilíbrio entre humanos e androides.

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“Você não precisa ter visto o original para compreender essa continuação. Há detalhes suficientes para entender o que Deckard foi nesses 30 anos que se passaram”, disse Ford, cujo personagem está escondido nas ruínas do que costumava ser Las Vegas, tendo por companhia apenas seu cão e hologramas de Elvis Presley e Frank Sinatra.

A visão distópica de Los Angeles que Scott traçou em ‘Blade Runner’ agora se expande para um ambiente onde as diferenças econômicas e sociais ficam ainda mais claras, um contexto a partir do qual Ford enxerga paralelos com a realidade atual.

“Sempre vamos rumo àquilo que percebemos, mas não queremos ver”, disse o ator. “No cinema, tentamos chamar a atenção para certos problemas, para fazer perguntas e abrir um diálogo. O que sentimos como seres humanos? Não quero negar a individualidade nem o direito a oportunidades, mas o fato de a riqueza estar nas mãos de uns poucos cobra seu preço. Seria melhor se não fosse assim”.

Gosling, sentado ao lado de Ford no sofá, faz que sim com a cabeça. “A ficção científica é uma maneira útil de projetar os piores cenários do futuro, e tanto Ridley quanto Denis conseguem nos transportar para esse mundo e torná-lo tangível”, disse o ator canadense, orgulhoso do trabalho realizado por seu compatriota atrás das câmeras.

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“Ele tem um talento incrível, estava pronto para o desafio e trabalhou ao lado dos melhores profissionais. Os criadores desse mundo, entre eles o roteirista Hampton Fancher, estavam de volta à franquia, então, para mim, era um risco que valia a pena. Denis e eu chegamos ao projeto sem medo”, disse o ator indicado ao Oscar por La La Land.

E o que Gosling pensa sobre o debate em torno de Deckard? “Sempre achei que a pergunta era mais interessante que a resposta”, disse ele. A partir de 6 de outubro, o público poderá decidir./ TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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