Guillaume Horcajuelo/ EFE
Guillaume Horcajuelo/ EFE

Emmanuelle Seigner, mulher de Polanski, recusa convite da Academia de Hollywood

'Roman não tem nada a ver com essa caricatura machista, sintoma do mal que devasta o cinema', disse a atriz

AFP

09 Julho 2018 | 09h04

A atriz francesa Emmanuelle Seigner recusou um convite para entrar na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que concede o Oscar, em protesto contra a exclusão de seu marido, o diretor Roman Polanski, pela organização, em carta aberta publicada pelo Journal du Dimanche.

"A Academia americana de Artes e Ciências Cinematográficas me propõe que me una a ela na companhia de outras atrizes, em nome de uma feminização, por outro lado, necessária. Quem pode pensar que eu não possa me preocupar pela igualdade entre homens e mulheres?", escreveu.

"Fui feminista desde sempre, mas como vou agir como se não soubesse que a Academia, há algumas semanas, expulsou meu marido, Roman Polanski, para ficar bem com os tempos atuais. A mesma Academia que o premiou com um Oscar de Melhor Diretor por O Pianista, em 2003. Amnésia curiosa!", acrescentou.

"Esta Academia provavelmente pensa que sou uma atriz arrivista, sem caráter, para esquecer que sou casada há 29 anos com um dos maiores diretores [do cinema]. Eu o amo, é meu marido, pai dos meus filhos. Rejeitam-no como a um pária e alguns acadêmicos invisíveis pensam que eu poderia 'subir a escadaria da glória' pelas costas dele? Hipocrisia insuportável!", criticou.

Taxando a proposta de "ofensiva", a atriz garante ser "a única que pode dar conta de até que ponto ele [Polanski] lamenta o que aconteceu há quarenta anos".

Em 1977, o cineasta admitiu ter tido relações sexuais ilegais com Samantha Geimer, então com 13 anos, na casa de Jack Nicholson, em Los Angeles, na ausência do ator, que estava viajando.

Em troca do reconhecimento dos atos, um juiz aceitou descartar outras acusações mais graves, inclusive a de estupro de uma menor sob efeito de entorpecentes.

O Conselho de Governadores da Academia anunciou em 3 de maio passado a expulsão de Polanski e do ator caído em desgraça Bill Cosby, condenado por agressão sexual.

A decisão foi tomada em virtude do novo código de conduta, adotado pela prestigiosa instituição depois que o escândalo de Harvey Weinstein veio à tona.

"Roman não tem nada a ver com essa caricatura machista, sintoma do mal que devasta o cinema", concluiu a atriz, de 52 anos.

 

 

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