Emily Watson fala de "Embriagado de Amor"

Cansada das mulheres com fim trágico nas telas, seja por amor, miséria ou doença, Emily Watson fez o diretor Paul Thomas Anderson jurar que sua personagem não precisaria chorar ou morrer em Embriagado de Amor. "Não aguentaria me desmanchar em lágrimas mais uma vez diante das câmeras??, disse a atriz, sempre lembrada pelas performances dramáticas de Ondas do Destino e Hilary e Jackie, pelas quais concorreu ao Oscar. "Queria quebrar a imagem de intérprete muito séria e cerebral, desprovida de senso de humor.??O pedido da atriz britânica de 36 anos foi finalmente atendido nessa comédia romântica que desembarca nesta sexta, dia 16, nos cinemas brasileiros, na pele de Lena Leonard, uma jovem impulsiva e apaixonada. A atriz contracena com o humorista Adam Sandler, mais conhecido pelas comédias inconsequentes (como O Paizão).Depois de ter nos deixado boquiabertos com a chuva de sapos em Magnolia, Paul Thomas Anderson instaura aqui uma atmosfera ligeiramente absurda durante todo o filme. O cineasta, também responsável pelo roteiro, propõe um obstáculo inusitado na vida dos amantes. O vendedor interpretado por Sandler passa a ser chantageado e perseguido por um deslize que cometeu antes de conhecer a namorada: apelar ao disque-erótico. Mas, como o título adianta, o mocinho vai enfrentar tudo por amor. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que Emily concedeu à Agência Estado em Cannes.Ao ser convidada para fazer par romântico de Adam Sandler, teve receio de não ter química com um comediante nas telas?Sim. Não dá para fingir química com alguém. Isso vai além da habilidade do ator. Essa conexão difícil de explicar deve existir logo de cara. Do contrário, o casal não convencerá ninguém. Até hoje me pergunto como o diretor sabia que Adam e eu teríamos essa química juntos, principalmente por termos históricos tão diferentes no cinema. Até sermos envolvidos no projeto não havíamos nos encontrado.Como se sentiu ingressando na comédia, um gênero ainda hoje considerado menor, principalmente pela Academia de Hollywood?Assim como Adam demonstrou respeito e um certo nervosismo ao trabalhar comigo, uma atriz européia tida como séria, eu senti o mesmo com relação a ele. O comediante geralmente consegue imprimir uma leveza e uma espontaneidade que eu invejo. Adam é um ator muito instintivo.A princípio, você não é o primeiro nome a passar pela cabeça de um diretor para estrelar uma comédia romântica. Como conseguiu o papel?Não sei (risos). Quando Paul me procurou, ele disse que tinha escrito a personagem para mim. Por isso, desconfiei que se tratava de mais uma performance dramática. Ele garantiu que não. Até porque Paul não queria repetir o tom de Magnolia que, apesar de alguns momentos cômicos, é um filme muito denso. Essa vontade que ele tinha de se reinventar me atraiu ainda mais. Admiro quando um diretor quer trilhar um caminho desconhecido. O filme pode até não dar certo, mas o processo é sempre interessante. Quando Lars von Trier me convidou para atuar em Ondas do Destino, por exemplo, disse que até então tudo o que ele havia feito era chato. Queria mudar tudo. E deu certo. Como foi trabalhar com Paul Thomas Anderson, um cineasta de 33 anos, logo depois da experiência com o veterano Robert Altman, que a dirigiu em "Assassinato em Gosford Park"?Por mais que sejam diretores diferentes, os dois seguem pela contramão do cinema mainstream. Paul precisa se sentir no controle e pensa minuciosamente em cada detalhe. Já Bob prefere trabalhar no caos, deslizando com a câmera quase arbitrariamente pelo set. Uma experiência complementou a outra. Enquanto Paul representa o novo, Bob já é um nome de tradição. Arrependeu-se de ter recusado o papel-título de "Fabuloso Destino de Amélie Poulain"?Não. Comigo Amélie teria sido completamente diferente. O filme representou o momento de virada na carreira de Audrey Tautou. É a vida. Helena Bonham Carter, por exemplo, era a primeira opção para Ondas do Destino, mas o papel caiu nas minhas mãos, mudando totalmente a minha vida. De tanto dar entrevista, fiquei catatônica por quase um ano (risos).

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