NIlton Fukuda/Estadão
NIlton Fukuda/Estadão

Emilio Dantas vive assessor de Tancredo Neves em 'O Paciente'

Morte de Tancredo às vésperas de assumir a presidência do País será o foco do filme; ator fará o papel de Antônio Britto

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2018 | 06h00

Bastaram poucos anos de carreira – e o sucesso como traficante na novela A Força do Querer – para que Emílio Dantas ascendesse ao primeiro posto dos galãs da Globo. Atualmente, faz o protagonista de O Segundo Sol, novela das 9 de João Emanuel Carneiro. E, a partir da quinta, 13, ganha as telas dos cinemas numa nova parcerias com o diretor Sérgio Rezende, com quem já fez Em Nome da Lei. Rezende conta agora outra história real – O Paciente. Ou como o presidente eleito Tancredo Neves morreu sem assumir, graças a uma inacreditável sucessão de erros médicos.

Dantas faz um personagem real – Antônio Britto, o assessor de imprensa que depois se converteu em governador do Rio Grande do Sul. “Fazer o papel foi muito bacana porque Sérgio (o diretor) é um cara sério, que acredita na preparação. Não queria, e ele concordou comigo, imitar o Britto, pra que as pessoas ficassem comentando. “Ah, como ele é bom. Consegue fazer direitinho.’ Certas coisas eram inevitáveis. Tive de escurecer o cabelo. E por se tratar de um personagem que vive num mundo oficial, institucional, uso terno e gravata. Esse é um filme em que o figurino é muito importante. Contribui para a veracidade das situações e dos personagens.”

O ator gosta de dizer que o grande inimigo de Britto era o elevador. “Quando ele deixava o quarto do Tancredo e chegava para os encontros com jornalistas, o quadro sempre já era outro. Tudo mudava rapidamente e o próprio Tancredo diz, lá pelas tantas – ‘Eu não merecia isso.’ Ninguém merecia aquilo, muito menos o Brasil, que, pela primeira vez em décadas, elegia um presidente civil, mesmo que tenha sido numa eleição indireta.” Tancredo tinha um projeto para o Brasil, mas o filme não chega a revelá-lo. “O tempo todo a gente acompanha a preocupação dele com a normalidade democrática, seu medo de que os militares, que consideravam José Sarney um traidor, não empossassem o vice.”

Tancredo era um homem do diálogo, um negociador – e nesse momento de radicalismo da sociedade brasileira, contar a história de um moderado possui um significado muito forte. Só que o tema de O Paciente, adaptado do livro de Luiz Mir, não é tanto a moderação de Tancredo, mas o seu assassinato pelos médicos. É um thriller médico, e forte.” Mesmo não querendo imitar Antônio Britto, Dantas observa – “Tem uma cena que foi decisiva para mim, quando o Britto anuncia a morte do presidente. Antes disso a gente já o viu desabar, chorando. Na cena do anúncio, fui à fonte. Impressiona muito a sobriedade, quase a neutralidade como ele falou. Nesse momento, fui fiel, tentei reproduzir exatamente como foi.” E a novela – como é ser protagonista de uma trama das 9? O Brasil cabe na novela do João Emanuel? “Não sei se cabe, ou está ali dentro, mas o João tem um compromisso muito forte com a realidade e gosta de refletir sobre temas que estão na rua. De minha parte acho que o (personagem) Beto Falcão tem um compromisso muito grande com o afeto. Me preocupava a questão da baianidade. Encontro baianos na rua que me dão dicas. Não queria falsear, mas, como eu digo, o importante é o afeto. O Brasil tá precisando de afeto.”

Ele desconversa sobre a tal grande mudança que vai ocorrer no capítulo 100. “Já me deram texto até depois disso, mas ainda não gravamos o 100. (A entrevista foi na segunda, 3.) E tem tanta informação que não estou querendo avançar para não me perder.”

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