Embora com alguns exageros, o júri fez a coisa certa

É a pergunta que não quer calar - o prêmio de melhor diretor que o júri da 60ª Berlinale atribuiu a Roman Polanski foi em reconhecimento aos méritos de "The Ghost Writer" (o filme vai se chamar "O Escritor Fantasma" no Brasil) ou em desagravo à prisão do cineasta e sua possível extradição para os EUA? O produtor do filme lamentou a ausência do diretor na cerimônia de premiação, realizada ontem à noite, mas relatou sua conversa com Polanski. Mesmo se não estivesse confinado em seu chalé na Suíça, ele não teria vindo à capital alemã. O recado de Polanski - "Na última vez em que fui receber um prêmio num festival (em Zurique), terminei na cadeia."

Luiz Carlos Merten,

20 Fevereiro 2010 | 19h40

 

Embora com alguns exageros, o júri de Herzog fez a coisa certa. O prêmio de melhor contribuição artística para o filme russo "How I Ended This Summer" premiou o que ele tem de melhor, a excepcional fotografia de Pavel Popomarov. O prêmio de melhor atriz para a japonesa Shinobu Terajima também é impecável e destaca uma das obras mais estranhas e fortes da programação, "Caterpillar", de Koji Wakabayashi. A grande surpresa - e um acerto do júri - foi o Urso de Ouro de melhor filme atribuído ao turco "Bal" (Honey, Mel), de Semih Kapanoglu, com sua história de uma relação entre pai e filho desenrolada em boa parte numa floresta permeada de conotações míticas.

 

O verdadeiro melhor filme da competição, o romeno "If I Want to Whistle, I Whistle", de Florin Serban, não foi esquecido. Ganhou o prêmio especial do júri e o prêmio Alfred Bauer, que leva o nome do fundador da Berlinale e é atribuído a um filme particularmente inovador. O júri talvez só tenha pisado na bola ao dividir o prêmio de melhor ator entre os dois protagonistas do filme russo. Haviam intérpretes melhores do que Grigori Dobrygin e Sergei Puskepalis, de "How I Ended This Summer". O Brasil pegou carona na premiação. O documentário "Lixo Extraordinário", co-dirigido por João Jardim, sobre o artista Vik Muniz, ganhou dois prêmios - o da Anistia Internacional e o do público, na mostra Panorama (repetindo o mesmo prêmio que ganhara no Sundance Festival).

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