CLAUDIO ONORATI/EPA/EFE
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Em Veneza, Johnny Depp fala da atualidade de seu filme

No festival, ator apresentou o drama 'À Espera dos Bárbaros': “pareceu muito relevante hoje, de muitas maneiras”

Marie-Louise Gumuchian   e Hanna Rantala   REUTERS / VENEZA, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 19h23

O ator Johnny Depp se transforma em um oficial frio e cruel em À Espera dos Bárbaros, um drama que seu elenco e diretor dizem que, embora ambientado em um deserto remoto, é relevante no mundo atual.

O filme, adaptado do romance de 1980 de J.M. Coetzee, tem Mark Rylance, vencedor do Oscar, no papel de o Magistrado, o administrador objetivo e benquisto de um entreposto de fronteira isolado que é parte de um império nunca identificado. Quando o coronel Joll, interpretado por Depp, chega para investigar possíveis ataques futuros dos “bárbaros”, seus métodos brutais para lidar com os supostos inimigos chocam o Magistrado.

O tratamento dado a uma jovem em particular o afeta, e o Magistrado, cujo nome não se conhece, logo começa a questionar suas lealdades. "Pareceu muito relevante hoje, de muitas maneiras e em muitos lugares diferentes do mundo”, disse Depp, em uma entrevista à imprensa no Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde o filme estreou na sexta-feira, 6 – o evento chegou ao fim no sábado, 7.

Sempre de óculos escuros metálicos e descrito por Depp como “ameaçador”, Joll se volta contra o Magistrado desde o início.

Atual. “Acho que a coisa mais interessante sobre os vilões ao longo da história... (é que) essas pessoas não acordam de manhã e, enquanto se barbeiam, juram a si mesmas ‘serei o ser humano mais maldoso e ruim, causarei tanto estrago quanto possível’”, disse Johnny Depp. “(Joll) pareceu muito diferente de um cara ruim para mim... se você tenta pensar como um homem daquele se forma, como chega àquele ponto... Joll, para mim, é uma série de muros de segurança muito fortes que ele construiu... para fugir do sentimento.”

Em entrevista à Reuters, o diretor Ciro Guerra disse que, quando embarcou no projeto, “ele parecia uma alegoria de um lugar distante e um tempo distante, e, quando terminou, virou um filme sobre hoje, o aqui e agora”. 

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