Carrie Fisher relembra icônico papel da princesa Leia na saga 'Star Wars'

Atriz agora será a general Organa em 'O Despertar da Força'

Ian Spelling, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2015 | 15h53

Nesses dias, mais do que nunca, Carrie Fisher é uma força da natureza - um ciclone de energia obstinado, cândido, profano, engraçado e desprendido que tem estado por aí; que fez o que fez, bebeu ou cheirou e sobreviveu parar contar.

Então é apropriado que, em "Star Wars: O Despertar da Força", Fisher volte ao icônico papel que a levou para o estrelato 38 anos atrás. Ela interpretou a princesa Leia Organa em "Star Wars" (1977), agora a general Organa em "O Despertar da Força".

A sétima aventura de "Star Wars", tão ferozmente aguardada, que estreia em 17 de dezembro, reúne novamente Fisher a companheiros como Anthony Daniels, Harrison Ford, Mark Hamill e Peter Mayhew, respectivamente C-3PO, Han Solo, Luke Skywalker e Chewbacca, além de introduzir recém-chegados como John Boyega, Adam Driver, Oscar Isaac e Daisy Riddley, além do diretor J.J. Abrams.

Durante uma recente entrevista por telefone de um hotel em Manhattan, Fisher, de 59 anos, reviveu seu histórico como um dos assuntos mais interessantes da galáxia, assim como alguém cuja linguagem teve de ser um pouco "editada" para poder ser publicada.

Enquanto falava, Fisher - cujo projeto anterior era um show solo na Broadway , sua autobiografia teatral "Wishful Drinking" - também banca a mãe coruja de seu adorado buldogue francês, Garry, embora seja impossível dizer que precisa mais do carinho de quem, Fisher ou Garry.

Como Garry está lidando com toda essa confusão de "Star Wars", viajando por todo o mundo e até mesmo participando as entrevistas?

Qualquer coisa que altere as atenções dirigidas para Garry não é visto por ele como algo bom, mas foi hilário quando ele deu de cara com Chewbacca, ou seja, Peter Mayhew, no set de filmagem. Ele achou que Chewbacca realmente era um cachorro grande, então teve uma grande reação. J.J perguntou "por que você mantém esse cachorro por perto o tempo todo?". Eu nunca fui assim com um cachorro, mas agora eu sou uma dessas mulheres idiotas que mantém seu cão ao lado o tempo todo. Mas ele é um cachorro tão bonzinho! E eu achava que um dia J.J. diria "vamos fazer dele o bicho de estimação de um desses personagens ridículos".

Você realmente queria interpretar Leia novamente ou era um trabalho e você não recusa trabalhos?

Eu queria interpretá-la novamente, com certeza. Por que não? Eu sou ela, permanentemente. Não faz diferença se eu a interpreto num filme ou se as pessoas me chamam por seu nome, eu vou atender.

Durante anos, quando se falava sobre fazer outro "Star Wars", você dizia algo como "se tiver de ser, será". No fundo, porém, você achava mesmo que isso iria se tornar realidade?

Você não pensa a respeito de algo desse tipo porque é quase uma garantia de decepção. Sabe o que eu quero dizer, né? Antecipar alguma coisa que muito provavelmente não vai acontecer. Eu diria que não era provável que acontecesse. Mas eu gostaria ter ter visto a sequências de "E o Vento Levou" (1939) com Hattie McDaniel aos 80 anos.

Como você encarou essa oportunidade? Como o fim de um ciclo? A possibilidade de passar algum tempo com velhos amigos?

É uma coisa com a qual eu estou continuamente associada. Eu tenho de ganhar me vi encarnando esta celebridade de novo.

Como tem sido até agora?

Eu tenho condições de analisar as coisas desta vez. Como tem sido? Nada muito excitante até agora, mas as coisas estão esquentando. 

Quando você diz "tenho condições de analisar desta vez", você quer dizer que tem mais sobriedade ou vê as coisas de uma perspectiva madura?

(risos) Sóbria e mais velha. Quero dizer, com sabedoria. Que tal?

Qual foi o momento em que você se deu conta de que isso estava realmente acontecendo? Foi a primeira leitura do texto com todo mundo? Foi a primeira cena? Ou talvez a primeira cena com Harrison Ford?

Harrison. Foi minha primeira cena com Harrison. Eu estava no set, no meu trailer, e eu ouvi seus passos. Seus passos sempre tiveram um som diferente para mim. Eu ouvi seus passos e então eu o escutei perguntando "a Carrie está aqui?". Isso, para mim, foi voltar aos tempos de "Star Wars".

Leia é uma general agora. Nós sabemos que você não pode falar muito sobre o que ela faz em "O Despertar da Força", mas o quão satisfeita você está com seu arco?

Eu nunca estou satisfeita. Essa é uma pergunta ruim para mim. Estou sempre decepcionada. Estou sempre perturbada, especialmente com a minha aparência. Isso é um padrão. Tenho de passar por isso para alcançar outras coisas.

Vou perguntar de um jeito diferente: o que é o arco da princesa Leia?

Ela teve algumas experiências difíceis. A vida não passou para ela como algo fácil. Para começar, seu planeta foi explodido. Então, o fato de que as coisas podem piorar ainda mais é assustador. 

Quanto tempo demorou para você encarnar a princesa Leia após todos esses anos?

Não foi rápido, de maneira nenhuma. O primeiro dia foi o pior dia de atuação de minha vida inteira. 

Por que?

Havia muitas cenas, muitos diálogos. Eu não havia dormido. Foi literalmente o pior dia. E então eles corta a cena.

E você diz "obrigada, J.J."?

Na minha cabeça, sim.

O que a impressionou em J.J. Abrams como diretor e como ele controla o set?

Ele é um escritor e conhece todos pelo nome. Os figurantes, todos, ele sabia seus nomes. Além disso, ele se certifica que tudo está bem e ainda consegue que o trabalho seja feito. Não sei como ele faz isso. Além do mais, ele faz com que as pessoas se sintam confortáveis e sabe o que está acontecendo no filme. J.J. sabe como toda a cena vai ficar. Isso é muita pressão sobre uma pessoa, para colocar a própria marca em algo. Para início de conversa, ele consegue realmente passar uma impressão muito boa sobre si mesmo, sem contar que tem de lidar com todo o legado anterior da saga.

Você e Daisy Ridle têm muito em comum. Embora ela não venha de uma família hollywoodiana como a sua, "Star Wars" transformou você de uma desconhecida numa estrela da noite para o dia e "O Despertar da Força" pode fazer o mesmo por ela. Que tipo de conselho, se é que tem algum, você daria a ela?

Eu certamente quero adverti-la sobre algumas coisas. Mas é preciso ter pessoas a quem perguntar. É tudo muito estranho e você nem sabe como formular as perguntas. Na verdade, a única coisa sobre a qual eu poderia ajudar Daisy é a respeito da imprensa. Porque a coisa sobre estar em "Star Wars" é que você interpreta um personagem e então você se torna uma diplomata do país de "Star Wars" e tem de representar este papel. Agora, você é uma diplomata do país "Star Wars" tendo a Disney por cima de tudo isso.

As pessoas estão entusiasmadas ao ver como vocês está, com a sua idade, nos trailers. Você não gosta da sua idade e também comentou publicamente a respeito de terem pedido para você perder peso antes de filmar "O Despertar da Força". As coisas estão melhores para as mulheres em Hollywood do que eram 15 ou 20 anos atrás?

Não. Não. Não. Elas não estão.

O quão difíceis elas estão?

Você tem de parecer bem. Que m! Você não pode envelhecer.

Eu não usei maquiagem neste filme e isso foi em parte porque eu tenho a idade (no filme) que eu tenho de verdade e, em parte, porque eu vejo como mulheres da minha idade ficam quando elas usam muita maquiagem. Elas parecem prostitutas.

Isso apesar do fato de que você ter podido escolher ficar sem maquiagem e de a decisão ter recebido apoio...isso não representa um pequeno progresso?

Há mulheres que fazem esse papel. Elas são as mulheres feitas. Na verdade, eles têm uma agência para pessoas feias. Há uma enorme parte de mim que ...eu não consigo olhar para mim mesma em HD. E, o que Meryl Streep me mostrou - porque, sim, eu conheço Meryl Streep pessoalmente - mas ela tem se visto envelhecer a cada ano. Eu não. Eu fiz outras coisas, como "Wishful Drinking" além de escrever. Eu fiz coisas na televisão, mas não é como ("Star Wars"). Agora, eu me vejo gigante e velha.

Mas é melhor do que não trabalhar, não é?

É melhor do que um monte de coisas. É uma experiência de vida. É intenso. É interessante e é um desafio. Eu tenho de trabalhar com uma parte de mim que não quer que eu seja vaidosa e isso é difícil, porque o mundo é vaidoso, o mundo ocidental, pelo menos. Mas é realmente difícil não ser dura consigo mesma a respeito do seu visual. Eu quero ver como você vê o que quer que seja, mas que a ênfase é na gestalt e não na aparência.

Você fez tanta coisa na sua carreira, escreveu livros e roteiros, além de outros papéis e de atuar na Broadway e, ainda assim "Star Wars" paira sobre tudo isso. Você mudaria alguma coisa, se pudesse?

Sim, certamente. Eu sei que minha vida tem sido um eterno desafio, então eu gostaria de saber como seria não ter vivido tudo isso. Minha vida tem exigido muito de mim e eu não sei como viver de outra forma, então eu gostaria de saber como é.Mas eu também interpreto as coisas da forma que eu as vejo, então, não é o que você recebe, é como você se sente a respeito das coisas. É o que você sente a respeito. É sobre a perspectiva que você enxerga e a minha é bastante intensa. Então eu penso que, mesmo se tivesse sido tranquilo, eu teria uma perspectiva intensa da vida.

Você está se permitindo aproveitar desta vez?

Sim. Eu estou curtindo tudo muito mais agora, já que tenho mais sabedoria agora. Eu sei quais são minhas prioridades e elas não têm muito a ver com aparência e coisas desse tipo.

 

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