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Em 'Sob o Mesmo Céu', o diretor Cameron Crowe fala sobre o que é sagrado

Filme que reverencia o mestre John Ford, tem Bradley Cooper e Emma Stone e Rachel McAdams

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2015 | 17h16

Em 1963, John Ford, um dos maiores diretores do cinema, estava-se despedindo do western, gênero que o consagrou. E entre obras fúnebres como O Homem Que Matou O Facínora, o episódio da Guerra Civil em A Conquista do Oeste e Crepúsculo de Uma Raça, fez um filme que muitos críticos consideram um corpo estranho em sua carreira – um filme ‘menor’, O Aventureiro do Pacífico.

É preciso colocar a definição entre aspas porque todo John Ford está presente nessa comédia de aventuras sobre dois amigos que resolvem suas diferenças no soco e terminam no bar. Numa cena, John Wayne, o protagonista, leva a filha de outro amigo, que veio dos EUA, para conhecer um local sagrado – uma montanha.

Reverenciam os mortos, os deuses, há um clima mágico. Cameron Crowe com certeza viu O Aventureiro do Pacífico. Roqueiro de carteirinha, ex-repórter da Rolling Stone – basta lembrar-se de Quase Famosos –, ele paga tributo ao Homero de Hollywood.

O que isso tem a ver com Sob o Mesmo Céu/Aloha, que estreou na quinta, 11? Nada, porque o filme não é uma refilmagem. Tudo, porque dependendo da sensibilidade e do grau de informação do cinéfilo, todo Ford, que estava em O Aventureiro do Pacífico, está em Sob o Mesmo Céu.

Nem todo mundo concorda, mas American Sniper, o melhor filme do Oscar, era a releitura, por Clint Eastwood, do clássico Rastros de Ódio, de Ford. A tragédia de um individualista pelo mestre criador das epopeias de grupos. Clint, o grande, viu em Bradley Cooper o John Wayne de sua geração.

Cameron Crowe o ratifica. Em Sob o Mesmo Céu, Bradley volta para o seu grande amor, mas Rachel McAdams não o esperou. Casou-se com outro. Ele vem numa missão diplomático/econômica – para adquirir direitos sobre as terras dos nativos. Ganha uma auxiliar, Emma Stone. Ela o acompanha no território sagrado dos havaianos.

Garoto, Bradley olhava o céu, em plena conquista do espaço. Agora, o filho menino de Rachel o toma pela encarnação de um deus havaiano que veio fechar um ciclo e promover uma explosão no céu.

Sob o Mesmo Céu é um daqueles filmes que parecem pequenos, sem muita ambição, mas é engano. Crowe está falando de homens (e mulheres) e sobre homens e deuses. Eddie Redmayne pode ter ganho todos os prêmios do ano, mas ninguém pode ser o melhor ator (por A Teoria de Tudo) e o pior (por O Destino de Júpiter) no mesmo ano.

Bradley foi excepcional como american sniper e é de novo excepcional como (mais uma vez!) John Wayne. Comédia (romântica?), Sob o Mesmo Céu é muito mais.

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