Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Em São Paulo, Andy Serkis, de 'Planeta dos Macacos: A Guerra', revela os segredos da sua carreira

Ator está na cidade para promover longa

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 18h10

Andy Serkis lembra-se perfeitamente - há dois anos, o diretor Matt Reeves sentou-se com ele e lhe contou, uma conversa de duas horas, tintim por tintim, o que ia ocorrer no desfecho da nova série Planeta dos Macacos. Serkis está no Brasil justamente para divulgar Planeta dos Macacos - A Guerra, que estreia nesta quinta, 3, em mais de mil salas. Mil! Olhe aí a foto. Serkis é um dos atores com maior exposição e menos conhecidos do mundo. Raramente aparece com sua cara. É o Sr. ‘Motion Capture’. Deu corpo ao Gollum (O Senhor dos Anéis), ao rei macaco (King Kong), é agora César no Planeta.

“Eu gosto (de não ser reconhecido). Vivemos uma época de invasão de privacidade. O que vale é o trabalho, o meu trabalho.” César, que lidera a rebelião dos macacos, é um personagem fascinante. “Matt (Reeves) criou um arco dramático completo para ele.” Eventualmente, Serkis representa personagens ‘live action’, e até já foi indicado para prêmios. Mas ele sabe que a motion capture ainda é um desafio para a Academia (de Hollywood). “Eles (os velhinhos da Academia?) aceitam a maquiagem, o disfarce, mas não as novas ferramentas da tecnologia aplicadas à interpretação. Os jovens são muito mais receptivos.”

Por eles, Serkis já teria recebido seu Oscar. Serkis possui um estúdio em Londres, o Imaginarium, justamente para preparar atores e técnicos na tecnologia da captação de movimento que Peter Jackson desenvolveu na série O Senhor dos Anéis. Como ator, não vê diferença entre um personagem live action - o roqueiro de Sexo, Drogas e Rock’n’Roll - e o Gollum, ou César. “A pesquisa não difere. Tenho de criar uma vida interior para todos. Nos planos a distância, a fisicalidade é essencial. Nos primeiros planos, com a câmera fechada no rosto, tanto faz que seja Hamlet ou César.” O repórter arrisca - os olhos e a voz viram seus instrumentos de trabalho. “Exatamente. Tem até uma referência em A Guerra. O militar (Woody Harrelson) impressiona-se porque, de perto, os olhos de César parecem tão humanos.”

Fechada a trilogia do Planeta dos Macacos, Matt Reeves vai fazer o próximo Batman. Você e todos os nerds do mundo já sabem que Reeves jogou no lixo o roteiro que vinha sendo trabalhado pelo ex-diretor, o astro Ben Affleck. “Ele concebeu Planeta dos Macacos - A Guerra como um clássico filme de guerra. Suas referências foram A Ponte do Rio Kwai (de David Lean)...” E Apocalypse Now, atalha o repórter. O militar Harrelson é calcado no Kurtz de Marlon Brando no clássico de Coppola. “Com certeza. E também em westerns. Quem não gosta de um bom western?” Serkis deixa a pergunta no ar.

 

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