Glen Wilson/Columbia Pictures-Sony
Glen Wilson/Columbia Pictures-Sony

Em 'Roman J. Israel, Esq.', Denzel Washington vive um dos papéis mais complexos de sua carreira

Sete vezes indicado ao Oscar, ator completa 63 anos no dia 28 de dezembro

Jake Coyle, AP

19 Dezembro 2017 | 06h02

NOVA YORK - Denzel Washington, de 62 anos, sete vezes indicado para o Oscar, está sempre querendo melhorar. Em Roman J. Israel, Esq., de Dan Gilroy, previsto para estrear no Brasil em 25 de janeiro de 2018, ele enfrenta o desafio de um dos papéis mais complicados e singulares de sua carreira. O personagem do título (vivido por Washington) é um veterano advogado ativista. Após décadas atuando nos bastidores como consultor jurídico, a morte do sócio, mais conhecido que ele, faz com que saia do anonimato.

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Para um ator cujas atuações mais marcantes (Malcolm X, Tempo de Glória, Dia de Treinamento) tiveram como pano de fundo o poder e a força, o personagem Roman é um ponto fora da curva - desajeitado, antissocial. Ele sofreria de síndrome de Asperger. Mas Roman também foi parte de personagens mais recentes de Washington (o trágico Troy Maxson de Um Limite Entre Nós, o piloto alcoólatra de O Voo), que levaram o ator por novos caminhos. 

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Denzel Washington, que completa 63 anos em 28 de dezembro, e eu nos encontramos para uma entrevista em Midtown Manhattan, em novembro, durante uma folga de dois dias do ator nas filmagens em Boston da sequência O Protetor 2, previsto para estrear em 14 de setembro de 2018. Seu carinho por Roman é óbvio. Ele diz que é seu único filme em que se viu torcendo pelo personagem. Washington é talvez o maior astro de cinema da atualidade. 

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De onde veio o andar de Roman? 

Pesquisei muito. O personagem tem falta de coordenação e isso atraiu minha atenção. Eu podia expressar isso fisicamente. Decidi usar sapatos dois números acima do meu e tive de mudar meu jeito de andar para poder mantê-los nos pés.

 

Você sente que está começando uma nova fase depois da peça Fences? Você passou anos trabalhando nela na Broadway e dirigindo a adaptação para o cinema (Um Limite Entre Nós).

Estou cada vez mais decidido a trabalhar apenas no que quero. Não sei o que farei em seguida em termos de cinema (Washington está no revival da peça ‘The Iceman Cometh’, de Eugene O’Neill, na Broadway). O tempo que passou e as oportunidades perdidas ficaram para trás. Agora, como posso dar o melhor de mim? Que quero fazer? Qual é a nova pedida?

Você teve um atrito com Tony, irmão de Gilroy, pelo filme dele Conduta de Risco.

É verdade, foi um erro. Mas no fim deu tudo certo para Tony e George (Clooney). 

Troy, de Um Limite Entre Nós, e Roman são desconectados com as gerações mais jovens. Isso passou pela sua cabeça?

É um fato. Se passou ou não por minha cabeça, não lembro (risos). O ano tem 365 dias, logo, 10 anos têm 3.600 dias. Vinte anos são 7.200 dias. Eu estou com 62 e tenho talvez pela frente 20 anos, se tiver, o que não é muito. Portanto, é preciso fazer logo o que dá e da melhor maneira possível. 

Este ano, Malcolm X faz 25 anos. Você, como ele, é filho de um pregador. Já se viu seguindo os passos de seu pai?

Por um tempo, esse fato me empurrou para o lado oposto, o que deve ocorrer com muitos filhos de pastor. Tinha de ir à igreja, e isso não tem muita graça. Meu ritmo era outro.

Acho que você seria bom de púlpito.

Tive um berço perfeito para me tornar um ator. Meu pai acreditava no que fazia, com cada fibra de seu ser. Era um homem de Deus e compartilhávamos isso. E minha mãe tinha uma loja de produtos de beleza. Parece ser um terreno de cultivo perfeito para um ator.

Muitos achavam que em fevereiro você ganharia o Oscar, seu terceiro, e não Casey Affleck. Foi uma surpresa para você?

Estou na estrada há muito tempo. Não digo que não tenha sentido, mas já vi isso antes. 

Existe algum filme a que você assistiu quando jovem e mudou sua vida? 

Super Fly e Shaft, principalmente Shaft. Eu estava com 14, 15 anos quando vi. O cara tinha a própria trilha sonora, usava um casaco de couro e estava sempre por cima. Vi esses filmes e fiquei me perguntando quem eu queria ser - Super Fly ou Shaft? Quis ser Shaft. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

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