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Em 'Olhos da Justiça', Julia Roberts perde seu famoso sorriso

Atriz interpreta uma agente do FBI em novo filme

Melena Ryzik, THE NEW YORK TIMES

01 de dezembro de 2015 | 03h00

 

Julia Roberts deveria ter sido um homem, pelo menos em seu novo filme, Olhos da Justiça (O Segredo dos Seus Olhos). Seu personagem neste policial meio noir foi criado como um homem que perde a esposa. Era assim no drama original argentino vencedor do Oscar no qual o filme se baseia. Mas na refilmagem americana, escrita e dirigida por Billy Ray (o roteirista de Capitão Phillips) e coestrelado por Chiwetel Ejiofor e Nicole Kidman, é Julia que perde um membro da família, a filha. Estas mudanças do roteiro, concebidas por ela, “tiveram o efeito de um abalo sísmico no filme”, disse Ray, dando ao público um novo elemento emocional porque a singularidade do personagem não muda.

Como Jess, Julia, outrora a rainha da comédia romântica e das bilheterias, aparece terrivelmente sofrida, mergulhada na dor. “Ela teve a ideia brilhante de colocar essas lentes de contato que fazem seus olhos parecerem desgastados”, disse Ray. Para retratá-la corretamente, fez testes com a câmera com o marido Danny Moder, que foi contratado para ser o câmera por sugestão da própria Julia. O filme tem previsão de estreia para dia 10 de dezembro no Brasil. 

Julia, de 48 anos, cuja carreira mudou com o Oscar por Erin Brockovich em 2001, nos últimos dez anos deixou um pouco de lado o estrelato para se dedicar à vida familiar; ela e Moder têm três filhos, Henry de 8 anos, e os gêmeos de quase 11, Hazel e Phinnaeus, e moram em geral em Malibu, na Califórnia. “Sempre fui muito exigente, mas agora também tenho de conciliar o calendário escolar e o cronograma de trabalho do meu marido”, disse, falando dos seus papéis.

Numa entrevista concedida recentemente em Santa Monica, Julia se mostrou calorosa e cheia de elogios, de unhas pintadas de vermelho. Usava calças cigarette e uma camisa de colarinho formal para uma sessão de fotos. Ela caminhava tomando muito cuidado com os saltos altos, como uma mulher para quem salto agulha não é mais a rotina.

A atriz comentou que neste momento se sente “meio à margem” da indústria do entretenimento. “Não conheço os atores e as temperaturas, quais são os filmes que estão indo bem e quais não.” Abaixo, trechos da entrevista.

Billy Ray me disse que lhe mandou o roteiro porque ouviu dizer que você queria desaparecer em alguma coisa.

Tem de ser alguma coisa que seja mesmo difícil, em que você tenha realmente de fincar os dentes. Fiquei atraída por Jess e por suas complicações e pelo fato de sua vida ser simples e cheia de sol. Gostei daquilo, e da ideia de arrancar tudo isso dela. Tinha de ter impacto. Você precisa ver que a vela dentro de cada pessoa se apagou. Com as lentes de contato, era como ter lenços de papel na frente dos olhos. Era muito difícil enxergar com aquelas coisas. 

É mais fácil ou mais difícil ter seu marido atrás da câmera?

Ambas as coisas. Neste exemplo, acho que fez uma enorme diferença para mim. Mas também me deixa mais nervosa. Penso: Oh, Deus, se pelo menos fosse apenas: ‘O que ela está fazendo?’ Me faz trabalhar muito mais, porque você também quer ter este tipo de triunfo. Confiamos um no outro. Não é só me fazer parecer uma mulher de 30 em cada cômodo da casa. Queremos mostrar a verdade do nosso personagem.

Você se sente mais atraída por personagens resistentes e fortes diante da adversidade? Não eram os papéis que você interpretava no começo.

Como ator, você se sente atraído por uma variedade de coisas, na medida do possível. Não sei até que ponto eu tinha determinação ou podia demonstrar que tinha aos 20 anos. Acho que é uma espécie de dom que vem com a idade, interpretar papéis mais complexos.

Não a veremos mais em outras comédias românticas?

As pessoas dizem: ‘Ah, ela é contra as comédias românticas’. Não é verdade. Eu adoro comédias. Tive sorte de fazer algumas realmente boas, por isso a meta para mim é bem mais elevada. Além disso, é difícil encontrar uma ideia realmente original de comédia romântica para uma pessoa de 47 anos, que seja de fato engraçada, realista e crível. Estou totalmente aberta a isso. Adoraria encontrar um bom roteiro de comédia romântica.

A gente ouve dizer que é muito difícil uma mulher vencer em Hollywood, tanto na frente da câmera quanto atrás dela. As pessoas agora falam em disparidades de salário e de oportunidades. Você foi a primeira atriz a receber US$ 20 milhões por um filme, Erin Brockovich, e teve de lutar por isso. Acha que as coisas estão mudando?

Para ser justa, estamos bem. Bom, nem tanto. Para mim foi assim, por que não receber o mesmo que meus colegas e como os atores que contracenam comigo? Barbra Streisand foi uma verdadeira pioneira nisso. Eu me baseio nela e também em Faye Dunaway. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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