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Em nova casa, o Cine Ceará começa hoje e faz homenagem a Portugal

Agora nas salas modernas do Instituto Dragão do Mar, a mostra realiza retrospectiva de filmes de Maria de Medeiros

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2013 | 19h12

Num ano de muitas novidades, começa neste sábado (7) o 23.º Cine Ceará, o tradicional Festival de Cinema de Fortaleza. Fiel ao recorte adotado nos anos mais recentes – ibero-americano –, o evento traz três longas brasileiros entre os competidores da mostra principal: Se Deus Vier Que Venha Armado, de Luis Dantas; Solidões, de Oswaldo Montenegro (Brasil); e Olho Nu, de Joel Pizzini.

Eles concorrem com os estrangeiros Emak Bakia, de Oskar Alegria (Espanha); Rincón de Darwin, de Diego Fernández Pujol (Uruguai-Portugal); El Paciente Interno, de Alejandro Solar Luna (México); La Película de Ana, de Daniel Diaz Torres (Cuba), e Mercedes Sosa, la Voz de Latinoamérica, de Rodrigo H. Vila (Argentina).

A novidade já aparece no local onde os filmes serão apresentados. Eles saem do Teatro José de Alencar, onde a mostra ocorria até o ano passado, e migram para as salas modernas do Instituto Dragão do Mar. Por muitos anos o Cine Ceará se realizou no Cine São Luiz, no centro da cidade, uma região degradada, que as pessoas evitam à noite. O cinema também tinha problemas técnicos sérios. Foi para o lindo Teatro José de Alencar, maravilhoso para a ópera e a música sinfônica, mas improvisado como cinema. Chega agora a salas profissionais, e numa região da cidade cercada de bares e restaurantes que a juventude frequenta o ano todo. “Acho que isso vai aumentar muito a interação das pessoas durante o festival”, avalia o cineasta Wolney Oliveira, diretor do evento.

A outra novidade é no foco temático, fazendo uma retrospectiva e homenageando o novo cinema português. “Nos anos anteriores, os nossos temas eram muito amplos, agora resolvemos fechar o foco sobre um país, Portugal”, diz. A atriz e diretora Maria de Medeiros (que recentemente venceu a parte latina do Festival de Gramado com seu Repare Bem), estará em Fortaleza. Dará show – é cantora também –, e acompanhará uma retrospectiva dos seus filmes, dos que dirigiu ou nos quais atuou, o que inclui o mais conhecido de sua autoria, Capitães de Abri, sobre a Revolução de Abril. Coincidência ou não, uma das oficinas do Cine Ceará, a ser ministrada pelo crítico Marcelo Lyra, será sobre o cinema de Quentin Tarantino. Para quem já esqueceu, Maria de Medeiros faz um par inesquecível com o brutamontes Bruce Willis em Pulp Fiction.

Para os fãs do cinema latino-americano, o Cine Ceará reserva ainda uma cereja do bolo. Três cerejas, na verdade, com a apresentação de filmes centrados na figura do argentino Fernando Birri, um dos mais importantes diretores do continente. El Fausto Criollo é dirigido por Birri. Fernando Birri, o Errante Utópico, de Humberto Rio, é um documentário sobre sua vida e obra. E, em Paisages Devorados, de Eliseo Subiela, Birri é o protagonista.

Birri ainda não tem presença garantida no festival. Tem idade avançada e mora em Roma. É patrono do Cine Ceará e, até alguns anos atrás, frequentou todas as edições. Tem obra vasta, em cinema, literatura e ensaios. Mas basta dizer uma coisa: com um pequeno/imenso filme de 33 minutos, Tiré-Die, mudou em 1960 o panorama do documentário na América Latina.

 

Lista

'Se Deus Vier Que Venha Armado’, de Luis Dantas

‘Emak Bakia’, de Oskar Alegria

‘Olho nu’, de Joel Pizzini

‘Rincón de Darwin’, de Diego Fernandez Pujol

‘El Paciente Interno’, de Alejandro Solar Luna

‘La Película de Ana’, de Daniel Diaz Torres

‘Mercedes Sosa, A Voz de Latino-américa’,  de Rodrigo H Vila

‘Solidões’, de Oswaldo Montenegro

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