Divulgação
Divulgação

Em 'Nocaute', Jake Gyllenhaal se preparou arduamente para o papel

Ator enrijeceu os músculos e tomou vários socos no corpo

Mariane Morisawa - ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2015 | 16h00

LOS ANGELES - Em O Abutre, Jake Gyllenhaal emagreceu 13 quilos e ficou com olheiras profundas para viver um cinegrafista que percorre as ruas de Los Angeles à noite para captar imagens de crimes e acidentes, e vendê-las aos noticiários locais. Além da transformação física, o ator andou com gente que faz isso de verdade para se preparar. Para Nocaute, de Antoine Fuqua, em cartaz em São Paulo, ganhou de volta o peso e acrescentou 6 quilos de músculo para interpretar o boxeador Billy Hope. 

A ideia do cineasta era filmar as cenas de boxe de verdade, sem truques como cortes para closes. “Ele queria mostrar o trabalho das pernas e tudo, sem dublês”, contou o ator, em entrevista em Los Angeles. Durante cinco meses, duas vezes por dia, de segunda a sábado, treinou boxe. “Tinha medo de parecer um idiota quando fôssemos filmar”, afirmou Gyllenhaal. “Boxe não é só dar socos, há muita técnica.” O ator levou pancadas de verdade em seu rosto de galã. “Depois de um certo tempo, você já treinou tanto, já assistiu a tantas lutas de boxe, que pertence àquele mundo. Se tenta ir de leve, acaba parecendo irreal”, disse. “Mas o treino físico, que o leva a ser socado no corpo inteiro, é a pior parte. Não que seja bom ser socado na cara”, completou, entre risos.

Por trás da história do triunfo de um esportista, Nocaute é um drama familiar e pessoal. Billy é movido pela raiva. “É ela que o permite ser bem-sucedido no ringue”, disse o ator. “Mas é a mesma raiva, colocada no mundo, que destrói tudo.”

O boxeador tem em sua mulher Maureen (Rachel McAdams) sua fortaleza. “Ela é a comissão de frente de Billy, tudo passa por Maureen”, contou a atriz. McAdams também achou bom ter algumas aulas de boxe para entender o esporte. “Minha personagem saberia quando seu marido está fora de sintonia. Então, eu queria ter uma noção das dificuldades, aí calcei as luvas e fui para o ringue.” A preparação ajudou também quando estava rodando a segunda temporada de True Detective. 

As coisas começam a degringolar para Billy Hope quando Maureen morre tragicamente, e ele, desestabilizado, acaba perdendo a guarda da filha Leila (Oona Lawrence), de 13 anos. “Foi fácil interpretar seu pai”, disse Gyllenhaal. “Ela é uma grande atriz, e ainda já ganhou um Tony (o mais imortante prêmio da Broadway)!”

O boxe é uma paixão de Antoine Fuqua, mas, segundo Gyllenhaal, o diretor queria fazer um filme para homens jovens que estão enfrentando a paternidade. “Era importante para ele dizer que ser pai é a coisa mais honrosa que pode acontecer em sua vida.” Uma das inspirações para Nocaute foi Meu Nome É Joe, do diretor inglês Ken Loach. “Antoine queria um traço de improviso nas interpretações, que os atores deixassem as coisas acontecerem espontaneamente no set, em vez de virem para a filmagem com tudo preparado.”

É uma interpretação poderosa, que pode colocar Jake Gyllenhaal entre os indicados ao Oscar de ator no ano que vem. Em 2015, ele frequentou as listas de favoritos por O Abutre, mas acabou ficando de fora. 

“Tudo o que importa para mim é fazer um bom filme. É tão difícil que parece mesmo um milagre. O que faz minha vida e meu trabalho valerem a pena são os relacionamentos com as pessoas com quem trabalho, o que aprendo com as pessoas que tento retratar, e a reação do público”, disse. Mas, indagado como se sentiu quando seus fãs ficaram chateados com sua ausência entre os concorrentes, afirmou, entre risos: “Não quero desapontá-los. Mas meio que gosto quando ficam um pouco chateados, porque isso lhes dá um pouco mais de motivação para serem fãs ainda melhores”. 

Tudo o que sabemos sobre:
NocautecinemaJake Gyllenhaal

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.