Em 'Milk', Gus Van Sant opta pelo simples e beneficia Sean Penn

Filme traz história de luta e liberdade, de progresso rumo a uma sociedade mais aberta, como lutava Harvey Milk

Luiz Zanin Oricchio, de O Estado de S. Paulo,

23 de fevereiro de 2009 | 03h37

Milk é exemplo da vertente mais "popular" do inventivo Gus Van Sant. Se em  filmes como Elefante ou Paranoid Park ele investe na ruptura com a linguagem  mais tradicional, em Milk conforma-se a uma narrativa mais clássica. Talvez para deixar brilhar com toda a intensidade o personagem – o ativista gay Harvey Milk – e o ator que o interpreta com tanta paixão, Sean Penn.    Veja galeria de fotos da cerimônia do Oscar  Assista ao trailer de 'Milk'  Especial do Oscar     Sean Penn vence o Oscar 2009 por interpretar Harvey Milk no filme 'Milk'. Foto: AP   A primeira coisa a ser dita para o público brasileiro, que talvez não tenha  familiaridade com o assunto, é que Harvey Milk (1930-1978) realmente existiu  e transformou-se em ícone da luta contra o preconceito nos Estados Unidos.    Em Nova York era um personagem anônimo até se mudar com o namorado para São Francisco, abrir uma loja, sentir na pele a discriminação sexual e resolver engajar-se na luta contra ela. Como? À maneira bem norte-americana: tentando forçar o "sistema" por dentro, candidatando-se a um cargo público, o de supervisor, espécie de subprefeito de São Francisco. Tirante o aspecto particular a respeito da opção sexual do personagem, Milk comporta-se como qualquer um desses heróis obstinados, que lutam contra tudo e todos para impor seu ponto de vista e, dessa maneira, beneficiar a sua comunidade. No  caso de Milk, uma comunidade alternativa, mas nem por isso pouco numerosa.   Van Sant, como se disse, não procura sobrepor o estilo ao caso que tem para contar. É uma história de luta e liberdade, de progresso rumo a uma sociedade mais aberta, ótima para ser lembrada no final de uma era das trevas e à luz da nova esperança liberal com o governo Obama. No mais, o filme obedece ao esquema mais ou menos conhecido das cinebiografias de personagens obstinados e de final trágico. Milk, como Luther King, ou Malcolm X, acabam se tornando maiores do que eles mesmos. Crescem na luta, turbinados exatamente pela confiança neles depositada. A vitamina poderosa da glória (ou a sensação de sentir-se emblema de uma causa, o que dá no mesmo) os faz ignorar perigos, afrontar riscos que, de outra maneira, talvez não enfrentassem. E os coloca na corda bamba, de maneira inevitável. É o que deles fica para a História.   Talvez um caso como esse pedisse mesmo uma forma narrativa mais linear, que  costuma atingir o público mais facilmente em suas emoções. Nesse sentido, a embalagem vai muito bem. E casa-se igualmente bem com o trabalho de Sean Penn, ator de recursos que, no caso, os utiliza com parcimônia. Milk é um personagem grandioso, e sua integridade não pode ser conspurcada pela tentação do maneirismo. Ao mesmo tempo, sua sexualidade não poderia ser omitida, sob pena de descaracterizá-lo. Nesse meio termo, o ator trabalha e, com nuances, compõe um Harvey Milk de carne e osso, quer dizer, sexuado, comovente e convincente. É um belo trabalho de ator. Penn teve de duelar com gente de peso como Brad Pitt (em O Curioso Caso de Benjamin Button), Richard Jenkis (The Visitor), Frank Langella (Frost/Nixon) e Mickey Rourke (O Lutador), mas conquistou o Oscar 2009. Milk – A Voz da Igualdade (Milk, EUA/2008, 128 min.) – Drama.  Dir. Gus Van Sant. 16 anos.  Cotação: Bom

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