Photo by Vincenzo PINTO / AFP
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Em meio a protestos, Festival de Veneza apresenta 'J’Accuse', novo filme de Roman Polanski

Diretor envolvido num caso de estupro de menor não apareceu na coletiva de imprensa após a sessão para jornalistas, nem deve estar no jantar de gala à noite

Mariane Morisawa, especial para o Estado, Veneza

30 de agosto de 2019 | 16h51

“Eu sou inocente!”, grita Alfred Dreyfus (Louis Garrel) na primeira cena de J’Accuse, baseado no famoso caso do militar francês acusado de espionagem. O caso, que dividiu a França no final do século 19 e foi relatado pelo escritor Émile Zola num jornal, é o tema do filme de Roman Polanski, que está em competição do 76º Festival de Veneza e foi exibido para a imprensa na manhã de hoje.

A seleção do longa-metragem provocou protestos por causa da condenação de Polanski num caso de estupro de menor nos Estados Unidos, na década de 1970, e das acusações de outras mulheres.

A própria presidente do júri, a diretora argentina Lucrecia Martel, se disse numa posição difícil, por lutar pelos direitos das mulheres na Argentina, e chegou a declarar que não iria ao jantar de gala em homenagem ao diretor. Mas Polanski não apareceu na coletiva de imprensa após a sessão para jornalistas nem deve estar na gala à noite. 

O longa é um thriller sobre o caso, partindo de quando Dreyfus perdeu sua patente, mas se concentrando no momento em que seu antigo professor, Georges Picquart (Jean Dujardin), agora encarregado do serviço de inteligência, começa a ver pistas de que Dreyfus podia ter sido condenado injustamente. 

Sem a presença de Polanski, os membros da equipe e do elenco evitaram entrar nas polêmicas durante a coletiva de imprensa. “Este é um festival de cinema, não um julgamento moral”, disse o produtor Luca Barbareschi.

 

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