Em meio a polêmica, Bollywood estréia adaptação de <i>Lolita</i>

A Índia estreou na sexta-feira, depois de um tribunal ter dado sinal verde, uma polêmica adaptação da obra-prima do romancista russo Vladimir Nabokov, Lolita, na qual o ícone de Bollywood, Amitabh Bachchan, se apaixona por uma jovem de 18 anos. Bachchan, mais conhecido na Índia como "Big B", encarna um maduro fotógrafo de 65 anos que, apesar de casado, cai nas redes da Lolita indiana, Jiah Khan, uma bela jovem que estréia como protagonista em Bollywood. Sob o título de Nishabd, o filme superou na quinta-feira seu último obstáculo para ser projetado, quando a Corte Suprema de Nova Délhi rejeitou o recurso apresentado por um cineasta bengali que acusava o diretor do filme, Ram Gopal Varma, de plágio, informou a agência indiana Ians. A estréia do filme também tem motivado protestos na cidade de Jalandhar (estado de Punjab), onde na semana passada uma multidão pediu ao Governo a proibição do longa, sob a alegação de que Nishabd, apesar de ainda não ter estreado, entrava em contradição com "os valores tradicionais indianos", informou a agência indiana "ANI". Varma já deixou claro que sua obra é uma apologia do amor entre pessoas de diferentes idades, enquanto a Lolita indiana, citada pela agência PTI, defendia que este tipo de relação "é muito comum na sociedade". "Meu personagem é emocional, rebelde, romântico e independente", disse Khan, que encarna uma Lolita que finalmente sucumbe aos encantos do Humbert Humbert (personagem do livro de Nabokov) indiano. O personagem de Big B flerta com uma amiga de sua filha que vai passar as férias em sua casa. É quando o casado começa a fotografá-la e ambos se apaixonam, algo mais próprio de Bollywood que no romance original, onde uma Lolita quase menina abandona sua paixão e acaba se casando com outro homem. A versão indiana também foca a reação da família do sexagenário depois que este reconhece seu namoro. Polêmica na Índia A adaptação mais famosa da obra de Nabokov no cinema ocidental foi dirigida pelo cineasta Stanley Kubrick em 1962, embora outras versões tenham sido filmadas ao longo dos últimos 20 anos. Outros filmes também tiveram problemas para serem exibidos na Índia. Um exemplo é Parzania, uma dura crítica às autoridades do estado de Gujarat, região onde há cinco anos cerca de 2 mil pessoas, em sua maioria muçulmanas, morreram em uma onda de violência extremista hindu. O filme estreou nos cinemas de quase toda a Índia, exceto nos de Gujarat, onde os proprietários das salas se recusaram a projetá-la por medo das reações do público. Além disso, a exibição do documentário sobre a descoberta dos supostos restos de Jesus Cristo e sua família a cargo do diretor de Titanic, James Cameron, causou a ira dos católicos que moram em Mumbai (oeste da Índia). O Fórum Católico Secular (CSF), com sede em Mumbai, pediu anteontem ao canal de televisão Discovery Channel que não exiba o documentário, já que "banaliza a credibilidade da Bíblia e da fé cristã", segundo o secretário-geral do CSF, Joseph Dias, citado pela Ians. Agora se espera a reação de um público indiano que, acostumado aos romances inócuos coroados com grandes musicais que representam a maioria da produção de Bollywood, assistirá na telona ao romance de seu ator mais famoso com uma quase adolescente.

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