Universal Pictures/AP
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Em 'Jurassic World', dinossauros voltam a dominar a Terra

Filme sobre irmãos e o esforço humano para reparar o estrago adquire emoção na luta final

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 06h00

Em 1993 e 97, Steven Spielberg, com base nos livros de Michael Crichton, estabeleceu um novo patamar de tecnologia na (re)criação dos monstros antediluvianos de Jurassic Park e Jurassic Park – Mundo Perdido. Antes dele, o mago Ray Harryhausen já fizera com que dinossauros caminhassem de novo sobre a Terra, mas a tecnologia era outra, mais primitiva, e isso fazia parte do encantamento. Quando Spielberg adaptou os livros sobre um parque temático em que dinossauros reviviam por meio de clonagem, sua preocupação foi tornar esse mundo perdido (e reencontrado) o mais realista possível. O novo patamar que seus especialistas de efeitos criaram tem a ver com o desenvolvimento dos animatronics e da computação gráfica combinados.

Em 2001, Joe Johnston fechou o que parecia uma trilogia. O filme, basicamente centrado numa relação familiar – pais separados tentam localizar o filho que desapareceu no Jurassic Park –, era muito bom, melhor até que o 2 de Spielberg, mas Jurassic III decepcionou nas bilheterias, rendendo metade de O Mundo Perdido.

Os dinos pareciam uma página virada na história dos blockbusters. Virada? Em 2004, três anos depois de Jurassic Park III, o diretor John Sayles já tentara reabrir a saga, criando um opus quarto. E, na visão dele, uma equipe de geneticistas, fazendo experiências com dinos e outras espécies animais, dava origem a uma nova raça de predadores indestrutíveis.

O projeto não prosperou, mas agora, 11 anos mais tarde, algumas das ideias de John Sayles reaparecem no novo exemplar, Jurassic World, que toma de assalto as telas brasileiros. Quem não estiver interessante na verdadeira montanha-russa de emoções criada pelo diretor e corroteirista Colin Trevorrow dispõe de programas como o Festival Varilux de Cinema Francês e o búlgaro A Lição. É pouco provável, porém, que o público que curtiu Jurassic Park há mais de 20 anos e as novas gerações de espectadores não queiram conferir Jurassic World – Jurassic 4.

Para espectadores apressados, Trevorrow, de cara, já fornece o que querem ver. O diretor, vale destacar, foi escolhido por Spielberg por causa de uma boa fantasia de baixo orçamento – Sem Nenhuma Segurança. É um pouco o tema que ele volta a abordar aqui. O filme ainda não começou e um ovo, depois outro ovo estalam as cascas frente à câmera para revelar uma garra assustadora e, logo, um olho sinistro. Já no clima, o público parte para outra vertente da aventura e é, de novo, um relato familiar. Papai e mamãe despedem-se dos filhos que partem para a ilha dos dinossauros, na qual trabalha a irmã de mamãe. Dallas Bryce Howard aparece como a diretora operacional obcecada por organização. Dallas, a tia Claire, não tem tempo para os sobrinhos nem para si mesma. Vive imersa nos problemas que o novo parque temático proporciona. O maior deles, obviamente, é de segurança, não apenas porque o parque anterior foi destruído numa revolução dos animais, mas também, porque seguindo a sugestão do roteiro de John Sayles, a nova atração do Jurassic World é devastadora. O dono do parque – indiano, nesse novo mundo da economia global – encomendou um dino maior e mais assustador. Seu cientista, associado ao militar que controla a segurança do lugar, fez diversos cruzamentos para criar... Uma máquina de matar para futura utilização bélica.

Nesse novo quadro apocalíptico, a esperança da Terra – e de Tia Claire, o que pode ser visto como machismo – é o ex-militar que agora se dedica a adestrar os predadores. Para o papel foram sondados e até testados Henry Cavill, o Superman, e Jason Statham, mas quem o interpreta é Chris Pratt, recém-saído do sucesso de Os Guardiões da Galáxia e em vias de se converter no próximo Indiana Jones, se, como esperam os fãs (e o próprio Steven Spielberg), o quinto filme sair do papel. Para a escolha de Pratt pesou, segundo o diretor Trevorrow, a mistura de charme, virilidade e humor, mais uma qualidade essencial para quem deve trabalhar com animais selvagens (mesmo que digitalizados). Ele passa para o espectador uma calma que agita a mulher (Dallas) e faz da aventura mais um capítulo da guerra dos sexos. Como as feras, que agem por instinto, os homens ficam ouriçados pelas mulheres, e isso vale para o garoto, com a testosterona a mil. A fábula de Trevorrow é sobre caos e controle, sobre os riscos da (in)segurança e a luta do homem para consertar o estrago que fez – um conceito novo na série. No seu núcleo mais intimista, é sobre dois irmãos e como um, o mais velho, vai se sentir responsável pelo outro. O filme, que começa ‘fabricado’, adquire emoção. E fica bem bom na eletrizante luta final.

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