Paris Filmes
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Em 'John Wick 3’, personagem de Keanu Reeves empilha cadáveres em lutas incríveis

No filme 'John Wick 3 – Parabellum', já em cartaz, as lutas seguem eletrizantes e não importa que Keanu Reeves, aos 54 anos, esteja mais pesado; assista ao trailer

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2019 | 03h00

Terceiro filme da série John Wick, iniciada com De Volta ao Jogo em 2014, Parabellum começa com a cabeça do herói a prêmio. Ele cometeu uma infração considerada gravíssima e a organização criminosa o pune, oferecendo US$ 14 milhões pela sua captura – ou morte.

Quem viu o 1 e o 2 conhece a capacidade letal do personagem de Keanu Reeves e sabe que ele não vai pagar barato.

Wick recebe tiro, facada e é, assim, com seu terno e camisa manchados de sangue que passa meio filme, revidando golpe após golpe. Chad Stahelski segue na direção e a série é uma criação dele com David Leitch.

Fãs de anime e filmes de artes marciais não acreditam muito em reações de causa e efeito. Em geral, os roteiros de ação criam situações que se encaixam minimamente, em termos de dramaturgia, para levar o relato diante. Stahelski pula essa etapa e, como nos videogames, dispensa o drama. Ação pura.

Wick bate e arrebenta com os recursos à mão. Invade uma loja que vende armas e sobram tiros. Entra numa espécie de museu de armas brancas e usa facas e machados. Morrem dez figurantes, ou mais, por minuto.

Passado o impacto inicial, a narrativa ganha, digamos, ‘densidade’. Surge uma juíza do crime, malvada como ela só. Wick recorre a Anjelica Huston e Halle Berry – duas vencedoras do Oscar! – e o resultado é que elas se comprometem, e também têm de ser punidas.

Toda essa loucura começou no primeiro filme porque Wick, um matador aposentado, resolveu vingar o roubo do carro e a morte do cachorro, que foi presente da mulher que também morreu. Halle Berry é tão louca por cães como ele. Desencadeia uma guerra porque ousaram atirar em seu cachorro. Que mundo é esse que não respeita o melhor amigo do homem? 

Stahelski e Keanu Reeves ficaram amigos quando o primeiro foi dublê nas cenas de ação da trilogia Matrix. Tudo em John Wick 3 – Parabellum se resume à coreografia de ação. As lutas seguem eletrizantes, e não importa que Reeves, aos 54 anos, esteja mais pesado.

O filme tenta disfarçar isso mostrando-o todo rebentado. Como lenda, Wick suscita admiração mesmo entre os que querem destruí-lo. Seu principal oponente é um dos maiores lutadores do cinema – Mark Dacascos, de Combate – As Lágrimas do Guerreiro.

Por menos sentido que façam, as lutas dos dois são espetaculares. É coisa de garotos, ficar vendo a dupla se rebentar. A humanidade passa longe. Na tela, só a desumanidade – como espelho do mundo – bem coreografada.

 

 

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