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Em Gramado, filme de Betse de Paula traz obras de Sebastião Salgado

'Revelando Sebastião Salgado' apresenta o artista na intimidade, com a família

Luiz Carlos Merten - Gramado, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2013 | 19h58

Dirigentes da associação de familiares das vítimas da tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, vieram à serra gaúcha para receber o abraço do festival. Gramado anunciou uma ação formal de solidariedade. Ainda no segundo semestre, filme ou filmes do festival serão exibidos em Santa Maria. “É reconfortante receber esse acalanto no momento em que percebemos um movimento para garantir a impunidade no caso”, disseram os representantes dos familiares, queixando-se do Ministério Público e da polícia, “que deveriam proteger os cidadãos, mas não o fazem”.

O festival prosseguiu ontem com qualidade, mas não sem alguma polêmica. O filme argentino Venimos de Muy Lejos, de Ricardo Piterbarg, pretende ser uma homenagem aos imigrantes que ajudaram a forjar a nação. Baseia-se num espetáculo montado pelo grupo comunitário Catalinas Sur, de Buenos Aires, e faz dialogar cinema e teatro, ficção, documentário e realidade. Existem ecos de Ettore Scola – O Baile – na maneira como se constroem o tempo e o espaço do filme. O diretor confirmou que Scola é uma referência importante para o Catalinas Sur, mas a dele foi o Looking for Richard, de Al Pacino, que também se baseava no diálogo entre mídias.

Na sequência, segunda à noite, passou o documentário Revelando Sebastião Salgado, de Betse de Paula, a diretora de Vendo ou Alugo (que estreou sexta). Betse foi criticada por não encarar um aspecto polêmico da arte do grande fotógrafo – ele já foi acusado de estetizar a miséria e de se apropriar das imagens dos outros. O próprio Sebastião reflete sobre a relação entre o fotógrafo e aquele que fotografa. Vindo da economia, ele revelou a base ‘econômica’ de seu trabalho. É um pensador marxista que pensa o mundo – e sua arte – a partir de relações de trabalho e poder.

Daí seus ciclos – Trabalhadores, Êxodos, Gênesis. O melhor do filme é a revelação da intimidade de Sebastião Salgado, sua relação com a mulher, os filhos, um deles downiano. Um bloco do filme é obra-prima. A construção/canibalização de um navio vira reflexão sobre os meios de produção, sobre o próprio capitalismo contemporâneo. O filme é simples, mas de uma simplicidade pensada, requintada. O bloco sobre Serra Pelada não é menos impressionante.

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