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Em 'Foxfire', Cantet está preocupado com o aqui e o agora

Diretor é, se não uma raridade, um autor contra a corrente

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2013 | 22h21

Seu carinho é imenso pelo Brasil. Laurent Cantet lembra como foi bem acolhido no País, quando aqui esteve para mostrar Vers le Sud e Entre os Muros da Escola. O repórter quer falar da experiência de fazer Foxfire, ele quer notícias do Brasil. O que anda ocorrendo no País? Como anda a questão da desigualdade social?

Cantet é, se não uma raridade, um autor contra a corrente. Seu discurso é político – na prática como na tela. Se as personagens de Foxfire discutem a “chama” – veja para saber de que se trata –, ele é um esquerdistas na tradição de Ken Loach. E nenhum deles, digam o quer quiserem seus detratores, é “anacrônico”.

Na entrevista acima, o diretor conta que leu o livro de Joyce Carol Oates enquanto montava Entre os Muros da Escola. Joyce é uma das mais importantes autoras dos EUA. Leciona literatura e humanas em Princeton. É outra política de carteirinha, mas promete se aposentar no outono do ano que vem. Sua voz vigorosa vai fazer falta.

Foxfire já havia sido filmado por uma mulher, Annette Haywood-Carter, em 1996. Angelina Jolie fazia um dos papéis. O filme não apenas esvaziava a dimensão política – que interessa a Cantet –, como o relato era insustentável. Tudo ficava mais ou menos ao Deus-dará. Era tudo o que Cantet não queria. Seu filme deixa brancos que o espectador tem de preencher, principalmente na exposição das relações entre as garotas. A psicologia não é o que mais lhe interessa, mas ele não descuida dela como ferramenta para entender essas mulheres.

As garotas de Foxfire fazem da união a sua força, mas o grupo desintegra-se justamente ao se radicalizar. As novatas que passam a integrar a irmandade cobram mais atitude. A narradora da história, Maddy, percebe que algo se perde nesse processo. “O que ocorreu conosco?”, pergunta-se. Cantet filma o grupo, como em Entre os Muros da Escola. A desigualdade social e a luta de classes, como em Vers le Sud – mas a exclusão dos oprimidos também está em Entre les Murs.

É interessante comparar Foxfire com outros filmes em cartaz – The Bling Ring e Frances Ha –, porque todos abordam o mal-estar da juventude. Os filmes de Sofia Coppola e Noah Baumbach parecem mais “contemporâneos”, mas Cantet, mesmo ao filmar os anos 1950, está preocupado com o aqui e o agora. Muita gente achou o filme lento. Ele tem o tempo (a duração) necessária. É forte.

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