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Em 'Florence - Quem é essa Mulher?', Meryl Streep mostra mais uma vez que não desafina jamais

Atriz dá seu show particular, puxando sua Florence para o registro cômico

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2016 | 06h00

De repente, bateu o interesse sobre a “pior cantora do mundo”, Florence Foster Jenkins, a ponto de ter inspirado dois filmes quase simultâneos – o francês Marguerite e este Florence – Quem É Esta Mulher?, de Stephen Frears. Ambos são bons, embora partindo de perspectivas diferentes.

Mas há algo em comum entre eles. Numa época de culto absoluto do sucesso, dedicam-se ao fracasso. Mesmo que esse termo precise ser matizado no caso de Florence, há que se admitir que ela nunca chegou a ser uma Tebaldi ou uma Callas. Muito pelo contrário. Pelo que se sabe, era incapaz de sustentar uma afinação básica. No entanto, causou furor em sua época. Sobreviveram gravações, nove faixas no total, com a soprano coloratura destroçando de Mozart a composições próprias, em parceria com seu pianista, Cosmé McMoon.

No filme de Frears, Meryl Streep dá seu show particular, puxando sua Florence para o registro cômico, mas depois, de maneira sutil, deslocando-o aos poucos para o patético.

Deve-se registrar que encontra um partner à altura, Hugh Grant como St. Clair Bayfield, seu aristocrático marido. Simon Helberg interpreta o abnegado Cosmé McMoon e assim se compõe o trio que vai se deslocar por aventuras vocais e sonoras até chegar a um histórico recital no Carnegie Hall, a badalada sala de Nova York.

A história de Florence é um desses casos de filistinismo que proliferam à sombra da arte. Fosse Florence uma pobretona e ninguém lhe daria bola. Mas era rica herdeira e mecenas. O mundo da música a bajulava e até Arturo Toscanini aparece pedindo apoio. Dessa forma, mesmo com voz de taquara rachada, Florence flutuava entre o sublime e o ridículo em meio a essa sociedade dita culta. O molho de Frears é manter a personagem nesse caldo de ambiguidade respeitosa, sem ridicularizá-la ou deificá-la. Contou para isso com Meryl Streep, esse instrumento que não desafina jamais.

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