HOPPER STONE/TWENTIETH CENTURY FOX
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Em 'Estrelas Além do Tempo', Kevin Costner vive opositor da separação entre brancos e negros

No drama histórico, seu personagem, o funcionário da Nasa encarregado de orquestrar a missão que levou o primeiro americano ao espaço

Antonio Martín Guirado / EFE, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2017 | 04h00

O ator californiano Kevin Costner acredita nos EUA. Sempre acreditou. Mesmo nos momentos de incerteza, como aquele que o país vive hoje, ele alimenta a esperança de que o melhor ainda está por vir, embora para isso sejam necessários “políticos de estatura”, como afirma numa recente entrevista.

No drama histórico Estrelas Além do Tempo, seu personagem, o funcionário da Nasa encarregado de orquestrar a missão que levou o primeiro americano ao espaço no início da década de 1960, ele diz uma frase que pode ser aplicada à sociedade atual: “Ou chegamos todos juntos, ou não chegamos”.

A película sobre Theodore Melfi conta a história de três mulheres afro-americanas cujo trabalho, mal reconhecido, foi decisivo para o êxito das missões espaciais dos EUA, apesar do racismo e da desigualdade. Taraji P. Henson, Octavia Spencer e a cantora Janelle Monáe foram encarregadas de dar vida, respectivamente, a Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, três brilhantes matemáticas e engenheiras.

“Acredito que o filme tem uma bela mensagem de união. Quando se quer algo de grande importância, é belo dar crédito a todos os que participaram dele. Fortalece as pessoas”, afirmou Costner. Entretanto, o ator sente falta de um maior esforço conjunto e num plano global para acabar com as injustiças e criar um mundo melhor.

Todos os países unidos em torno de propósitos positivos. Isso é possível? Rússia, China e EUA poderiam unir-se e mudar o futuro do mundo”, refletiu o ator de 62 anos.

Esses conflitos poderiam acabar se alguém decidisse que este mundo não precisa estar sempre competindo, mas deve se manter unido. Se entendesse que os direitos dos pequeninos valem tanto quanto os dos mais ricos e que há gente marginalizada à qual ninguém dá uma oportunidade”, prosseguiu. "Se esses líderes fossem políticos de estatura, poderiam mudar o curso da história ainda este ano. Basta apenas querer uma mudança de fato.”

Não estamos mais nos anos 1990, quando a presença do ator bastava para assegurar consideráveis lucros aos filmes que ele protagonizava, como Dança com Lobos, Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões ou O Guarda-Costas, no entanto agora, como ator coadjuvante, Costner pôs dois de seus filmes no topo das maiores bilheterias americanas em pouco mais de três anos.

O primeiro é O Homem de Aço (2015), no qual encarna Jonathan Kent, o pai de Clark Kent/Superman (Henry Cavill), e o segundo, Estrelas Além do Tempo, o atual gigante de bilheteria americano, que tem entre seus personagens o astronauta John Glenn (vivido por Glen Powell), o primeiro americano que orbitou ao redor da Terra, que morreu em 8 de dezembro. “Ele sempre foi um nome familiar na minha vida. Quando cresci, pude conhecer melhor Glenn e seu verdadeiro valor”, contou ainda Costner.

O vencedor de dois Oscars por Dança com Lobos protagoniza uma das melhores cenas de Estrelas Além do Tempo, a qual, armado de um martelo, destrói a tabuleta com os dizeres “Banheiros para negros”, no interior das instalações da Nasa, para o qual precisa se dirigir a personagem de Taraji P. Henson, cada vez que precisa usar o serviço, que aliás fica a mais de um quilômetro de distância da sua mesa de trabalho.

“Às vezes, os filmes permitem que os atores façam certas coisas que nós mesmos como espectadores desejaríamos fazer. Essa tabuleta tinha que ser destruída e eu tinha certeza de que o público desejaria ser a pessoa que fez isso”, acrescentou.

Para Costner era importante contribuir para a realização desse filme que divulga a história desconhecida do grande público dessas três heroínas que foram fundamentais na corrida espacial americana. 

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