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Em 'Esquadrão Suicida', Will Smith é o Pistoleiro, que mata por dinheiro

Ator afirma que personagem só dá sinais de humanidade quando está com a fiha

Luiz Carlos Merten / NOVA YORK, O Estado de S. Paulo

30 Julho 2016 | 16h00

Pergunte a Will Smith por que quis fazer Esquadrão Suicida, e ele nem vacila. “For David.” Por causa de David Ayer, o diretor. “David tem uma visão e faz filmes que possuem uma assinatura, mas, principalmente, é essa raridade – um diretor de atores que nos tira da zona de conforto.

Conheço a maioria dos atores com quem ele filmou, já trabalhei com alguns, e, com certeza, reconheço os momentos em que o diretor está presente.” No caso dele, Smith esclarece. “Nunca fiz um bad guy, não por qualquer espécie de preconceito, mas por achar que não conseguiria.

Por que as pessoas fazem coisas ruins? Pistoleiro (seu personagem) não é nenhuma encarnação do mal, mas faz coisas ruins. David (Ayer) nunca teve minhas dúvidas e me conduziu durante o processo. Entre preparação e filmagem, trabalhamos mais de cinco meses. Foi um dos melhores processos de minha vida.” 

Will Smith conversa com o repórter na garagem do imponente prédio central do Correio dos EUA. A entrada principal é na 8.ª Avenida, o acesso para a garagem é na lateral, na Rua 23. Ali, foi montado um cenário. O astro está descontraído, e cheio de expectativa. “Trabalhar com esse universo das HQs é sempre um risco. A gente faz cinema para atingir todo mundo, mas o fã de HQ tem uma mentalidade particular. Eles amam e odeiam, com intensidade.

Você pode trair um clássico da literatura, e todo mundo vai entender que é cinema. Agora, mexa num fio do cabelo de qualquer super-herói e é encrenca na certa.” Esquadrão Suicida estreia na quinta, dia 4, nos cinemas brasileiros.

Um dia antes, na quarta, 3, a Warner realiza pré-estreia em 863 salas de todo o País. Você já viu muitos filmes de super-heróis, mas nenhum como esse, até porque não é um filme de super-heróis (embora tenha a participação do Batman de Ben Affleck). Esquadrão Suicida é um filme de supervilões, reunindo os bad guys da DC Comics.

O astro conta como se preparou para fazer Pistoleiro. “A parte física nunca teve problema. A questão era o psicológico. Matei a charada ao ler um livro chamado The Anatomy of Motive, de um antigo diretor da CIA que, por cinco anos, estudou a mente de criminosos em série. Esqueci o nome (NR - John Douglas). Você sabia que mulheres não são serial killers?

Elas são matadoras massivas, não seriais. Tem uma diferença. O livro parte de uma pergunta – por que os caras fazem isso? Simples – porque se sentem bem. “Ah, mas se é só isso posso entender. É só criar uma motivação na minha mente.” Pistoleiro, por exemplo, mata por dinheiro, porque despreza a humanidade, porque tem essa convicção de que o mundo é podre.

Seria um monstro, se não fosse humano, e o que o humaniza é a filha. Aquela garota o impede de ser pior do que é. Sou pai, posso entender isso.” Pai de três filhos, Trey, de 22 anos, já está encaminhado. The trouble são os irmãos Jared e Willow. A garota está com 15 anos e há uns três anos provocou uma revolução na vida de Will Smith.

Com Jada Pinkett Smith ele criou uma fundação para apoiar crianças (e famílias) de todo o mundo. Também tem sido muito ativo na Make-A-Wish Foundation, também voltada ao desenvolvimento da criatividade infantojuvenil. Mas, há três anos, Smith sentiu que estava negligenciando os filhos, e a filha. “Estava preocupado em ser um astro.

Percebi que minha filha estava tendo uma pré-adolescência conturbada e desacelerei. Ela era minha prioridade, como a filha de Pistoleiro é a prioridade dele. Pistoleiro tem um antagonismo com o Batman, porque ele o prendeu em frente da filha. Não importa, para ele, que Batman tenha feito isso porque um minuto antes Pistoleiro estourou a cabeça de alguém...”

Esquadrão Suicida reúne uma impressionante galeria de vilões (e vilãs). Na trama, estão todos presos – numa cadeia de segurança máxima – e são cooptados por uma oficial da agência de inteligência dos EUA (Viola Davis), que acredita que será possível formar uma força-tarefa dos piores, para que possam fazer o bem. “Esse é o tipo da ideia que, não faz muito tempo, seria impensável, mas daí tivemos Deadpool e o próprio Capitão América – Guerra Civil, com todos aqueles heróis brigando entre si.

Existe hoje mais interesse pela área cinzenta. O mundo nos mostra todo dia que as coisas não são preto e branco. Esquadrão Suicida é o anti-Vingadores.” Entre outros, Jared Leto faz um Coringa excepcional, reinventando o personagem, mas mantendo o alto nível das criações de Jack Nicholson e Heath Ledger.

Cada vez melhor, Margot Robbie rouba a cena por sua dupla criação como a Dra. Harleen Quinn e Arlequina, a mais sexy, despudorada e violenta das vilãs, sempre aprontando com aquele taco de beisebol. “O que é? Fazemos coisas ruins porque somos vilões, né?”, é uma das frases dela. Mas justamente o Coringa e Arlequina são apaixonados, como Pistoleiro, de outra forma, ama a filha e Diablo (Jay Hernandez) é atormentado por haver destruído a família.

“O filme é pop corn (filme pipoca), mas David (Ayer) é a garantia de um certo nível de complexidade e elegância”, avalia o ator. Sua lista de sucessos é imensa (alguns fracassos, também) e Smith soma aos créditos de ator e produtor o de músico. Ganhou nada menos de quatro Grammys. Além de Esquadrão Suicida, tem para estrear outro filme – Collateral Beauty, de David Frankel. E os filhos? “Vão querer ver Esquadrão Suicida por causa de Margot (Robbie). Jared porque ela é linda, e ele está com os hormônios em ebulição. Willow, porque está naquela fase de se identificar com transgressores. É capaz que nem percebam que estou em cena...”

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